O Centro de Maceió abriga a instituição de referência no estado em Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência visual, a Escola Estadual de Cego Cyro Accioly. Localizada em uma das principais vias do bairro, a rua Pedro Monteiro, atende a mais de 150 alunos da rede de ensino de toda a Alagoas. A escola atua há 47 anos e trabalha com a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.
A maior parte dos alunos se desloca com transporte escolar público à instituição. No entanto, se precisarem percorrer a pé, encontram todos os tipos de dificuldades para trafegar pelas ruas do bairro. Apenas poucas partes do histórico Centro da cidade oferece a seus transeuntes recursos básicos de mobilidade e acessibilidade, como calçadas regulares e niveladas, além de rampas bem construídas, que facilitem subidas e descidas.

Os próprios alunos já procuraram a imprensa, principalmente a radiofônica, e os órgãos estaduais e municipais, para fazer reclamações sobre a falta de acessibilidade e as consequências físicas, como quedas e fraturas em braços e pernas. Os acessos adequados podem promover segurança não só a pessoas com deficiência visual, mas a cadeirantes e idosos, usuários de bengalas e outros instrumentos de apoio corporal.
A escola prepara os alunos para ter melhor desempenho em sala de aula no processo de aprendizagem em turmas de educação regular. Mas os estudantes também recebem instruções pedagógicas de como criarem autonomia em áreas urbanas. Eles são treinados a subir em ônibus e descer deles, sentir cheiros, desenvolver audição e mapas mentais, aprender a girar à direita e à esquerda, se deslocar para frente e para trás.

Os alunos são capazes de caminhar com autonomia, mas precisam de vias que colaborem com o deslocamento. Além de calçadas e rampas adequadas, na maioria das ruas e calçadões do bairro, faltam pisos táteis, semáforos, com sinais sonoros – existem apenas dois no bairro, um deles em frente à escola -, e sinalização sonora de modo geral. O piso tátil, existente na praça Palmares, próxima à escola, e em partes do calçadão, é um tipo de guia muito eficiente para pessoas com deficiência visual. Ele deve ser destacado com as cores vermelho e amarelo, para orientar as pessoas com baixa visão, e com círculos e traços em alto-relevo para que os cegos percebam a direção e sinalização corretas.

Marcia Lima, coordenadora pedagógica e professora de estimulação visual, disciplina que visa ensinar pessoas com baixa visão a usar o resíduo visual, explicou a importância dos recursos de acessibilidade e mobilidade no processo de inclusão da pessoa com deficiência visual.
“A educação da pessoa com deficiência visual é importantíssima, porque a deficiência não pode limitar a pessoa a não ter uma vida como as outras têm. E a inclusão é uma bandeira que a gente vem carregando há muito tempo. A gente já vem trabalhando há muito tempo. A gente conseguiu um sinal sonoro aqui também, em frente à escola, porém, a gente precisa de muito mais acessibilidade. Maceió é uma cidade que está aí no turismo. Porém, a gente precisa tornar Maceió mais acessível para todo o pessoal com deficiência. Inclusive para os que vêm de fora. Todos merecem usufruir da cidade”, destacou ela.






























Respostas de 2
Muito obrigado pela atenção chamada aos órgãos públicos e sociedade em geral sobre a importância dessa locomoção. Creio que seria um bom começo utilizar a rede pública, por meio das secretarias de educação para divulgar o difícil acesso.
Obrigado, José Rosalvo, pelo comentário.