quinta-feira, 30 de abril de 2026 – 12h56

Roubo de trilhos preocupa entidades e empresas do setor ferroviário

Material apreendido pela Polícia Civil chegaria a 4 km de trilhos, um prejuízo de cerca de R$ 4,8 milhões
Foto: Ascom/PC-AL
Foto: Ascom/PC-AL

A Polícia Civil apreendeu, na quarta-feira (15), uma carreta com carga de trilhos furtados, em Porto Real do Colégio (AL). Segundo o delegado Sidney Tenório, a empresa Transnordestina Logística S/A (TLSA) informou à polícia que já haviam sido extraídos cerca de 4 km de trilhos, ao custo de R$ 1,2 milhão por quilômetro. Um prejuízo estimado em R$ 4,8 milhões para o consórcio de empresas e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Após suspeita de uma carreta “atolada” em uma via estreita, na entrada do povoado Taperinha, separada do cavalo que a conduzia, e este estava próximo à estrada com o motorista na espreita, como olheiro, policiais que passavam pelo local, desconfiados, utilizaram um drone para observar e confirmar que se tratava de um crime, antes de iniciar a ação.

Pelo menos 10 pessoas participavam do esquema, mas conseguiram fugir a tempo. O motorista da carreta foi capturado e autuado em flagrante e será investigado como possível integrante de organização criminosa. Outras pessoas identificadas serão intimadas no curso do inquérito policial.

Imagem captada pelo drone da cena do crime – Foto: Secom/PC-AL

Este é mais um caso registrado que, ocorrido com frequência em vários estados brasileiros, tem desassossegado o setor, especialmente entidades que atuam na preservação da memória das ferrovias.

“Tem quem furta porque há quem atue como receptador. As duas práticas são criminosas e devem ser combatidas, pois além de tudo ainda interferem na segurança ferroviária”, disse o diretor administrativo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF Campinas), Hélio Gazetta Filho, em entrevista à Folha de São Paulo.

Os trilhos são cortados com maçaricos e depois vendidos como sucata a algum ferro-velho. Os furtos têm o mesmo propósito, mas há casos em que se percebe que organizações maiores têm agido no setor. Há dois anos, a Polícia Civil do Espírito Santo deteve uma uma quadrilha, num ferro-velho, com aproximadamente dez toneladas de trilhos. O material teria como destino grandes empresas siderúrgicas de São Paulo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também