A comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI), que investiga as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), rastreará as visitas do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes ao órgão e ao Ministério da Previdência Social, entre os anos de 2019 e 2025. Conhecido como “Careca do INSS”, Antunes é apontado como um dos principais intermediadores do golpe bilionário, dono de empresas acusadas de participação no esquema de descontos fraudulentos em benefícios de segurados do INSS.
“Eu faço um apelo à Justiça brasileira: coloque esses criminosos na cadeia. O tal do Antônio Carlos Camilo, o ‘Careca do INSS’, meteu a mão em milhões de reais, junto com outros operadores financeiros. Esse criminoso andava perambulando pela Esplanada dos Ministérios. O povo quer saber se houve apoio de quem para um elemento como esse conseguir ter influência para retirar o dinheiro do povo brasileiro”, disse o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
O requerimento foi aprovado na quinta-feira (28), durante os trabalhos da comissão. A Procuradoria Federal, que atua no INSS como advocacia pública, deverá enviar informações à CPMI, especialmente sobre a relação entre Antunes e o ex-procurador-Geral, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Segundo o autor do requerimento, senador Izalci Lucas (PL-DF), Virgílio foi afastado de sua função “por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”.
“A decisão de Virgílio de atropelar um parecer técnico de sua própria equipe para autorizar o desbloqueio em massa de benefícios para descontos, representa um abuso de poder que clama por escrutínio. Essa ação, quando justaposta às revelações da Polícia Federal sobre o recebimento de R$ 11,9 milhões por pessoas físicas e jurídicas a ele ligadas, oriundos de empresas intermediárias do esquema, desenha um quadro clássico de corrupção sistêmica”, explicou Lucas.
As fraudes no INSS foram reveladas na operação Sem Desconto, da Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A CPMI ainda aprovou requerimentos para que diversos órgãos ligados à Previdência Social, ou às investigações das fraudes que motivaram a CPMI, como a Dataprev e o Tribunal de Contas da União, enviassem informações à comissão.
Em relação à operação, devem enviar informações à CPMI a Polícia Federal, a CGU, o Supremo Tribunal Federal, a Justiça Federal e a Procuradoria-Geral da República. O INSS também terá de prestar informações sobre o programa “Meu INSS Vale+”, que permite antecipar os benefícios do órgão. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que investigar o programa extrapola o objetivo da comissão, mas a maioria dos parlamentares votou pela aprovação do requerimento.
*Com informações da Agência Senado





























