Após denúncia da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), sobre a presença excessiva de álcool etílico em pães de forma, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás realizou um breve teste para avaliar o teor alcoólico de duas das marcas denunciadas pela associação. No teste de alcoolemia, utilizando o etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro, uma delas apresentou um nível de álcool acima do permitido pela legislação de trânsito brasileira.
No primeiro dia do teste “O mistério do pãozinho”, exibido no perfil do Detran-Go, na rede social Instagram, a marca de pão Visconti marcou 0,12 miligramas por litro de ar expelido (mg/l), muito acima do exigido pela legislação, que é de 0,05 mg/l. No dia seguinte, no consumo da mesma marca, após aguardar três minutos para a realização do teste, o resultado foi negativo. “O álcool presente nos alimentos não é absorvido pelo pulmão. Então basta esperar 3 minutos e está liberado para dirigir”, disse a Blogueirinha do Trânsito. A marca Pullman, que também participou do teste, foi aprovada no relatório da Proteste, pois não apresentou nível alcoólico suficiente para ser detectado pelo bafômetro.
Após os testes, o Detran-GO esclareceu que a quantidade é muito pequena e, depois de três minutos, o álcool já desapareceu do organismo. No vídeo, a médica nutróloga, Thais Aquino, explica que o álcool é uma substância comum em alimentos e medicamentos, e que pode ser adicionado aos produtos, ou oriundo da fermentação natural. A quantidade é insignificante, por isso, não aparece mais no bafômetro depois de três minutos.
Em entrevista ao jornal O Globo, a nutricionista Priscilla Primi esclarece sobre a importância do relatório produzido pela Proteste, tanto para população como para a classe médica, sobre produtos ultraprocessados. “É importante para vermos que não é tão saudável quanto pensávamos, principalmente para grupos populacionais como grávidas e crianças, porque para essas populações não se deve consumir álcool de jeito nenhum. É algo para ficarmos mais alertas ainda”, esclareceu a nutricionista.
“A gente orienta em consultório que a base da alimentação seja de alimentos in natura e minimamente processados, exatamente para saber o que a gente está colocando no prato. Se eu tivesse feito um pão, comprado o fermento, farinha, água, etc, e preparado, o álcool residual que é obtido através da fermentação da massa, sairia todo durante o cozimento no forno. O que não acontece nos pães processados, porque o álcool, ali, é o veículo para o conservante. Então, ele é borrifado ali por cima”, complementou.
No processo de fermentação da massa, o etanol (álcool etílico) é produzido naturalmente, porém grande parte dele se evapora quando levado ao forno. Mas, no caso do pão de forma, a substância é utilizada para estender a validade do alimento, como conservantes antimofo, que são diluídos em álcool e borrifados sobre o pão, após já terem saído do forno, antes de serem embalados.





























