segunda-feira, 2 de novembro de 2026 – 07h40

Imprensa poderá ser punida por divulgar cenas de suicídio

Penalização pode ocorrer por violação do dever objetivo de cuidado
País tinha cerca de 12,8 milhões de servidores públicos em 2024 - Foto: Lula Castello Branco/NC

A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que pune, com detenção de 1 a 3 anos e multa, quem divulgar, sem justa causa, conteúdo com cenas de suicídio consumado, tentativas de suicídio ou automutilação. O projeto prevê ainda a punição para quem publicizar o ato de forma não intencional. Nesse caso, a regra se aplica a jornalistas, canais de comunicação e redes sociais, que não controlem conteúdos postados por outras pessoas, ou pelos quais sejam responsáveis. A pena seria de 2 meses a 1 ano de detenção.

“Propõe-se, ainda, a inclusão da forma culposa, caracterizada pela violação do dever objetivo de cuidado, aplicável, por exemplo, a profissionais da imprensa, canais de comunicação e redes sociais que não adotam medidas de moderação sobre conteúdo de terceiros ou sob sua responsabilidade”, descreve substitutivo do relator, deputado Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), que apresentou parecer favorável. 

A matéria foi proposta pelo deputado Allan Garcês (PP-MA). Com a nova versão do relator, para dar maior concisão à redação original, o novo tipo de delito foi deslocado para o capítulo do Código Penal que trata dos crimes contra a saúde pública. “Divulgar conteúdo sobre suicídio sem motivo justo prejudica a saúde mental das pessoas”, disse Ribeiro. “Por isso, faz sentido incluir esse crime nessa parte do Código Penal”, justificou.

Após a comissão de Comunicação, o projeto será analisado pelas comissões de Cultura, e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Depois, seguirá para votação no Plenário da Casa legislativa. Para se tornar lei, além da Câmara dos Deputados, a proposta precisa ser aprovada também no Senado Federal.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

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