sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 08h49

Horário de verão pode voltar no Brasil

Seca extrema coloca retorno do horário especial nos planos do governo
Foto: LulaCastelloBranco/NC

A seca extrema que tem castigado o Brasil deve levar o Governo Federal a adotar o horário de verão para evitar racionamento de energia no país. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que o governo está avaliando a possibilidade de aplicar a medida como forma de garantir o suprimento de energia nos horários de pico de consumo, entre 18h e 20h.

No horário de verão, determinadas regiões do país adiantam os relógios em uma hora, durante os meses da primavera e do verão, para aproveitar ao máximo a incidência da luz natural, reduzindo assim o consumo nos horários mais críticos. A adoção do horário de verão pode “diluir” essa demanda, reduzindo a necessidade de acionar usinas termelétricas, que são mais caras e poluentes. Ao final do período, os relógios retornam 1h, voltando ao ‘horário normal’.

A expectativa é de que, se implantada, o horário de verão ajude a fortalecer o sistema elétrico brasileiro neste período crítico de estiagem, sem comprometer o abastecimento de energia ou penalizar os consumidores com tarifas mais altas. O governo ainda irá definir quais estados brasileiros terão de adotar a medida. Com a dimensão continental do Brasil, não são todas as regiões que entram no horário de verão.

A medida não é unanimidade entre consumidores e especialistas. Em 2019, o horário de verão foi suspenso no Brasil, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). O Executivo justificou a suspensão uma vez que a economia de energia não era considerável e as mudanças poderiam trazer problemas de saúde à população, principalmente no chamado ‘relógio biológico’, que regula o sono e a fome, o horário de verão pode afetar no metabolismo, e causar estresse, ansiedade e déficit de atenção.

O horário de verão não é uma criação brasileira, tendo ocorrências em todos os continentes do mundo. Nas Américas, ele é adotado pelos Estados Unidos, Canadá, México, Chile e Paraguai. Ao redor do mundo, a medida é estabelecida em nações como Austrália, Nova Zelândia, Irã, Turquia, Marrocos, Israel, Suíça, Noruega, Islândia, Reino Unido e a maioria dos países da União Europeia.

Seca, estiagem e incêndios no Brasil

Em 2024, o Brasil enfrenta a pior seca de sua história desde que se há registro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). No Norte do país, os rios Madeira e Negro estão em um dos níveis mais baixos, e as comunidades já sofrem com isolamento e obstáculos no abastecimento. Até mesmo Manaus, capital do Amazonas, já sofre com as consequências.

Foram registrados 164.543 focos de incêndios florestais em 2024, um aumento de 107% na comparação ao mesmo período de 2023. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro a setembro, o país já quase atingiu o total de 189 mil queimadas registradas ao longo de todo o ano passado. Só nos nove primeiros dias deste mês, foram notificados 37.492 focos de incêndios florestais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também