sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 20h28

Leptospirose e distúrbio mental afligem população gaúcha

Há quase dois meses o estado sofre consequências de enchente histórica
Foto: GustavoMansur/PalácioPiratini

Desde o início das enchentes no Rio Grande do Sul, já foram confirmadas 175 mortes. As águas atingiram 446 municípios e afetaram cerca de 2,3 milhões de pessoas. As chuvas provocaram mudanças no mapa da região sul do estado. O primeiro alerta vermelho foi dado em 29 de abril. Quase dois meses depois, começam a surgir as gravidades pós-catástrofe, como leptospirose e distúrbio mental na população gaúcha.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, foram notificados 4.516 casos de leptospirose, dos quais, 242 estão confirmados, outros 1.004 foram descartados e 3.270 seguem em investigação. Já há o registro de 17 óbitos pela contaminação. A doença infecciosa febril é transmitida pelo contato com a urina de animais infectados pela bactéria leptospira, principalmente os ratos. A bactéria penetra no organismo humano através de ferimentos ou arranhões, ou por meio de alimentos, que devem ser bem lavados.

As enchentes também afetam a saúde mental do gaúcho. Famílias com renda inferior a R$ 1,5 mil sofrem mais com ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) do que as com renda maior que R$ 10 mil. As consequências da enchente estão sendo investigadas por psiquiatras do Hospital de Clínicas da cidade, vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o apoio da Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam).

Resultados preliminares do levantamento, iniciado em meados de maio, mostram que a ansiedade aflige a 100% das pessoas com renda familiar abaixo de R$ 1,5 mil e a 86,7% dos que têm renda familiar acima dos R$ 10 mil. A depressão atinge 71% das pessoas do estrato social com menor renda e 35,9% daqueles com maior renda.

O estudo visa obter informações de como cuidar da saúde mental da população após a tragédia e fornecer subsídios teóricos para os tratamentos. “O stress pós-traumático crônico torna-se mais difícil de tratar com o passar do tempo”, informou a psiquiatra Simone Hauck, coordenadora do estudo.

Os organizadores divulgaram os primeiros resultados para que mais pessoas tomem conhecimento da pesquisa e preencham o questionário online por meio do WhatsApp ou por acesso com o QR code, fixado em locais públicos, como o Hospital de Clínicas e abrigos da região.

O Rio Grande do Sul já havia sido afetado por enchentes e inundações em 2023. A primeira em junho, com 16 vítimas, em pleno inverno; outra em setembro, com 53 mortes, devido à passagem de ciclone extratropical. Em novembro, mais de 700 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas torrenciais.

Com informações da Agência Brasil

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