O Pix se tornou uma das formas mais usadas de pagamento e transação financeiros. Na última sexta-feira (5), foram realizadas 224 milhões de transferências entre contas bancárias, um recorde da modalidade, segundo o Banco Central. Junto ao intenso uso, os golpes se propagam. O último deles, que está sendo chamado de “Pix errado”, propagou-se nas redes sociais. São inúmeros os relatos de vítimas que receberam uma transferência de dinheiro em sua conta corrente e, logo depois, foram ludibriados e prejudicados financeiramente. Entenda o golpe e saiba como não ser enganado.
O golpe
Os fraudadores fazem uma transferência para a conta de uma potencial vítima, que pode ser escolhida por causa da chave-pix de número telefônico, fácil de ser levantado. Após o envio do dinheiro, os golpistas entram em contato, por meio de ligação ou mensagem de Whatsapp, e argumentam que houve um erro de envio e o valor, que deveria ter sido mandado para uma determinada conta, foi encaminhado, por engano, para a conta da vítima. “Estava precisando receber um dinheiro para pagar o aluguel, mas o rapaz mandou no número errado. Você pode transferir aqui para mim”, relata um usuário do X (antigo Twitter), cuja mãe teve R$ 600 depositados na conta bancária.
Quando a pessoa é convencida a fazer a devolução do dinheiro, para uma terceira conta indicada durante o contato telefônico, o golpe se inicia. Os trapaceiros utilizam a ferramenta do Pix, denominada Mecanismo Especial de Devolução (Med), criado inclusive para facilitar a devolução em caso de fraudes. Quando a transferência é feita, os golpistas acionam o recurso, alegando que ludibriados. Os bancos identificam a triangulação na transação e entendem equivocadamente que a vítima executou o golpe. A partir daí, retiram da conta da vítima o valor recebido na primeira transferência. Os golpistas recebem de volta o dinheiro depositado a princípio, além do valor estornado pelas instituições bancárias.
Como se prevenir
O Banco Central explica que “não há normas do BC ou do CMN [Conselho Monetário Nacional] sobre devoluções em caso de engano ou erro do pagador, mas o Código Penal, de 1940, trata sobre a apropriação indébita”. O órgão orienta que o estorno seja feito para a conta de onde foi efetuada a primeira transferência. “Basta acessar a transação que você quer devolver no aplicativo do seu banco e efetuar a devolução”. A ferramenta Pix tem a opção “devolver”, ou seja, é diferente de fazer outra transferência. É um procedimento que estorna o valor recebido para a conta que realmente originou o Pix inicial e não seria considerado irregular, caso o golpista acionasse o mecanismo de devolução.
Em junho, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sugeriu ao BC uma melhoria no Mecanismo Especial de Devolução, a ser nomeado Med 2.0. “Já observamos que os criminosos espalham o dinheiro proveniente de golpes e crimes em várias contas de forma muito rápida e, por isso, é importante aprimorar o sistema para que ele atinja mais camadas”, afirmou à época o diretor-adjunto de Serviços da Febraban, Walter Faria. Segundo a federação, o desenvolvimento do MED 2.0 acontecerá no decorrer de 2024 e 2025 e a implantação será em 2026.
*Com informações da Agência Brasil





























