sábado, 16 de maio de 2026 – 08h39

Produtos menores e preços iguais ou mais altos: você está diante da reduflação

Fenômeno acompanha a inflação, dribla consumidor e busca diminuir a queda nas vendas
Foto: Igor Ovsyannykov por Pixabay
Foto: Igor Ovsyannykov por Pixabay

Se durante as suas compras você perceber que está pagando um preço igual ou mais alto por um produto de tamanho ou quantidade reduzidos, você está diante da reduflação, fenômeno mercadológico, que acompanha a inflação e busca diminuir a queda nas vendas. A estratégia dribla o consumidor e aposta que a redução da mercadoria causa menos impacto no consumo que o aumento ostensivo do preço. O processo ocorre no Brasil e no mundo e tem como principal causa a perda do poder aquisitivo do consumidor.

Diversos produtos no mercado brasileiro estão com as unidades de peso e medida reduzidos e, por vezes, com qualidade inferior à comercializada anteriormente. O procedimento não é ilegal, mas exige que as mudanças estejam explícitas na embalagem. De acordo com a Portaria 392/2021, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o fornecedor deve informar a alteração quantitativa do produto posto à venda por um prazo mínimo de seis meses. As informações devem ser escritas em caixa alta, negrito e cor contrastante com o fundo do rótulo. O descumprimento acarretará em sanções previstas em lei. 

Segundo a consultoria Horus, as mercadorias que sofreram maior reduflação nos supermercados do Brasil foram sabão em pó, suco pronto, molho de tomate, biscoito, chocolate e sabonete. Entre janeiro e agosto dos anos de 2022 e 2023, todas elas tiveram redução da gramatura e aumento dos preços. O sabão em pó foi o que mais sofreu variação. As 1.102,7 gramas em 2022 foram reduzidas a 1.000,3 em 2023, uma queda de 9,3%. Já o preço aumentou de R$15,31 para R$ 19,18, um acréscimo de 23,3% no valor.  

A reduflação não se encerra com o fim do período inflacionário, ou seja, mesmo sem inflação o produto dificilmente retorna ao formato anterior. “Isso é reflexo da inflação. E depois que chega a um determinado ponto, mesmo que venha deflação ou desaceleração, é difícil voltar ao patamar normal. O consumidor se acostuma, e o preço final acaba ficando um pouco acima. Veja o leite, que dobrou de preço e começou a baixar, mas não volta ao nível anterior”, explicou a diretora de novos negócios da Horus, Luiza Zacharias, à coluna Painel S.A. do jornal Folha de São Paulo.

A prática é conhecida no mercado internacional como shrinkflation. Neologismo criado a partir da junção de “redução” com “inflação”, a reduflação pode ser fiscalizada pelo consumidor. Algumas formas de se proteger consistem na comparação entre preço e tamanho de produtos similares; leitura atenta dos rótulos; e observação de mudanças das embalagens. O consumidor também pode procurar o Procon do seu estado para mais orientações e outras maneiras de se defender de abusos dos fornecedores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também