sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 11h14

Projeto prevê fim do dinheiro físico no prazo de 5 anos com implantação do Drex

Questões como segurança, estabilidade de rede, risco de fraudes ainda causam muitas incertezas
Foto: AndrewKhoroshavin/Pixabay

 

 

Desde 2020, está em trâmite na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei n. 4068 que determina a extinção do papel-moeda no Brasil. Segundo o texto, com a sua aprovação, a produção, a circulação e o uso de notas com valor superior a R$ 50 ficarão proibidos. Para as cédulas de valor inferior, o prazo de transição será de até cinco anos. Com a mudança, todas as transações financeiras ocorrerão apenas em meio digital.

“A tecnologia proporciona todas as condições para pagamentos sem a necessidade de dinheiro em espécie”, afirmou o autor do projeto, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Na proposta, a Casa da Moeda do Brasil passa a ter entre as suas atribuições o desenvolvimento de tecnologias para transações financeiras, e as cédulas serão permitidas para fins de registro histórico.

Tendo em vista o curto prazo para aplicação da lei, diante a realidade da população brasileira, sobretudo pelo desconhecimento dos recursos digitais, as mudanças ainda geram bastante expectativas. Muitas pessoas já não utilizam mais as cédulas, mas imaginam que elas estão lá, no banco. Sem o metal ou o papel, o dinheiro se torna um número virtual, dependente de aparelhos tecnológicos e à mercê de medidas governamentais.

Expectativas do Real Digital – Drex

O Real Digital, ou Drex, é a moeda digital brasileira em desenvolvimento desde o final de 2019, com a fundação do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) do Banco Central.

“A transição para o dinheiro digital já está em andamento. E medidas como a tomada em Brasília [proibição do uso de dinheiro físico para o pagamento do transporte público], facilitam a automação, reduzem a necessidade de trabalho humano na cobrança, e melhoram a segurança”, argumentou Luiz Maluf, especialista em tecnologia bancária da DataRain.

“Também podemos dizer que é um passo importante para a inclusão de moedas digitais no cotidiano das pessoas, fazendo-as se habituarem, embora o Pix já seja bastante popular entre os brasileiros”, concluiu Maluf.

O Banco do Brasil divulgou que o Drex se encontra em período de teste e pretende lançar, em 2025, uma plataforma que facilite a interação com a moeda digital do Banco Central (BC).

Em estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), em parceria com o Mercado Pago, com o tema “Da Cédula ao Drex: a evolução do real em 30 anos”, metade dos brasileiros acredita que em 10 anos o papel-moeda deixará de existir.

Para o vice-presidente de Banco Digital do Mercado Pago no Brasil, Ignacio Estivariz, o processo de transição é natural. “No cenário atual, enxergamos avanço da democratização do crédito e serviços financeiros, de forma geral, impulsionados, principalmente, por agendas de inovação como Pix e Open Finance”, disse. “Após o lançamento, será essencial trabalhar no educacional para explicar à população quais os benefícios e qual será o papel do Drex no sistema de pagamentos”, complementou.

A vice-presidente de estratégia e inovação da Consultoria de Tecnologia Ilegra, Caroline Capitani, há risco numa modificação abrupta. “As pessoas podem temer a possibilidade de mudanças nas políticas governamentais que afetem a moeda. Muitos ainda não entendem completamente o que é uma moeda digital como o Drex, como ela funciona e quais são seus benefícios e riscos”, argumentou.

Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, questionado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ) sobre se o Drex levaria ao fim do dinheiro físico disse que o BC deve manter o papel-moeda. “Nosso objetivo não é, em nenhum momento, acabar com o papel-moeda”, disse, durante o evento Blockchain Rio 2024, em julho deste ano.

Moedas do Brasil

Réis – do período colonial a 1942
Cruzeiro – de 1942 a 1967
Cruzeiro Novo – de 1967 a 1970
Cruzeiro – de 1970 a 1986
Cruzado – de 1986 a 1989
Cruzado Novo – de 1989 a 1990
Cruzeiro – de 1990 a 1993
Cruzeiro Real – de 1993 a 1994
Real – de 1994 até os dias atuais
Real Digital (Drex) – ?

Origem do Dinheiro

“A história da civilização nos conta que o homem primitivo procurava defender-se do frio e da fome, abrigando-se em cavernas e alimentando-se de frutos silvestres, ou do que conseguia obter da caça e da pesca. Ao longo dos séculos, com o desenvolvimento da inteligência, passou a espécie humana a sentir a necessidade de maior conforto e a reparar no seu semelhante. Assim, como decorrência das necessidades individuais, surgiram as trocas.

Esse sistema de troca direta, que durou por vários séculos, deu origem ao surgimento de vocábulos como “salário”, o pagamento feito através de certa quantidade de sal; “pecúnia”, do latim “pecus”, que significa rebanho (gado) ou “peculium”, relativo ao gado miúdo (ovelha ou cabrito).

As primeiras moedas, tal como conhecemos hoje, peças representando valores, geralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no século VII A. C.. As características que se desejava ressaltar eram transportadas para as peças através da pancada de um objeto pesado (martelo), em primitivos cunhos. Foi o surgimento da cunhagem a martelo, onde os signos monetários eram valorizados também pela nobreza dos metais empregados, como o ouro e a prata.

Embora a evolução dos tempos tenha levado à substituição do ouro e da prata por metais menos raros ou suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a associação dos atributos de beleza e expressão cultural ao valor monetário das moedas, que quase sempre, na atualidade, apresentam figuras representativas da história, da cultura, das riquezas e do poder das sociedades.

A necessidade de guardar as moedas em segurança deu surgimento aos bancos. Os negociantes de ouro e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passaram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guardadas. Esses recibos (então conhecidos como “goldsmith´s notes”) passaram, com o tempo, a servir como meio de pagamento por seus possuidores, por serem mais seguros de portar do que o dinheiro vivo. Assim surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, ou cédulas de banco, ao mesmo tempo em que a guarda dos valores em espécie dava origem a instituições bancárias.

Os primeiros bancos reconhecidos oficialmente surgiram, respectivamente, na Suécia, em 1656; na Inglaterra, em 1694; na França, em 1700 e no Brasil, em 1808 e a palavra “bank” veio da italiana “banco”, peça de madeira que os comerciantes de valores oriundos da Itália e estabelecidos em Londres usavam para operar seus negócios no mercado público londrino”. Do livro ‘Casa da Moeda do Brasil: 290 anos de História, 1694/1984’.

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