sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 14h16

Tubarões pescados no Rio de Janeiro testam positivo para a presença de cocaína

Ainda não se sabe ao certo a origem da substância e o efeito nos animais
Foto: Reprodução

As águas marinhas da costa brasileira se encontram poluída por drogas. Essa é a constatação de um grupo de pesquisadores ao dissecar tubarões pescados no Rio de Janeiro. Os animais apresentaram grande quantidade de cocaína, nos músculos e no fígado. A concentração da substância é alarmante e chega a ser 100 vezes maior do que em outras espécies marinhas. Os tubarões seriam comercializadas para o consumo humano. Ainda não se sabe ao certo a origem da substância e o efeito nos animais.

Segundo o estudo publicado na revista “Science of the Total Environment”, dos 13 tubarões-bico-fino-brasileiro (Rhizoprionodon lalandii), capturados nas redes de pescadores em praia do Rio de Janeiro, todos testaram positivo para presença de cocaína e de seu principal metabólito, a benzoilecgonina. Pesquisas anteriores já haviam encontrado a substância em outras criaturas marinhas, como camarão, mexilhões e enguias.

Para a ecotoxicologista marinha, Sara Novais, do Centro de Ciências Ambientais e Marinhas da Universidade Politécnica de Leiria, em Portugal, a descoberta é “muito importante e potencialmente preocupante”, tendo em vista que as fêmeas no estudo estavam grávidas. Não se sabe ao certo qual o efeito da exposição à cocaína para os fetos. É preciso haver mais pesquisas para determinar se a droga altera o comportamento dos tubarões.

A pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, que participou da pesquisa, a bióloga Rachel Ann Hauser-Davis, do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental, diz que “é necessário realizar estudos específicos para determinar as consequências exatas dessa contaminação nos animais. Acredita-se que pode haver impacto no crescimento, na maturação e, potencialmente, na fecundidade dos tubarões, uma vez que o fígado atua no desenvolvimento de embriões”.

Entre 2021 e 2023, a Polícia Federal brasileira apreendeu mais de 109 toneladas da droga, muitas vezes em portos nacionais, que são transportadas via mar, em pacotes presos aos cascos de navios, que podem se desprender e contaminar o oceano. A contaminação também poderia ocorrer via esgotos a partir de laboratórios ilegais via esgoto. O impacto da contaminação afetaria a fauna marinha e os seres humanos por meio do consumo de peixes e crustáceos.

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