Queridos Leitores,
Parafraseando os ingleses: Como o tempo passa rápido quando estamos nos divertindo! E sim, o tempo passa rápido mesmo. Essa já é minha vigésima coluna! E para comemorar hoje vou falar um pouco de minha melhor professora.

Durante essa semana que passou, foi comemorado no Brasil o dia dos professores e como eu ainda não escrevi sobre minha mãe, que era professora, então vai ser falando dela que farei minha homenagem a esses profissionais que , na minha opinião, são os mais importantes no mundo, nem reis têm essa majestade!

Depois de sua partida, eu fui convocada por papai pra escrever as recordações dele com sua amada Maria, então todas as noites depois do café sentávamos na sala, ele ia contando suas memórias e eu ia escrevendo, aí ele parava, me pedia pra ler o que tinha escrito e ficava feliz que eu pegava o que ele estava me contando e transformava numa leitura leve e cheia de amor, o amor dele por ela! Essas Recordações foram o maior sucesso no Facebook dele. Pessoas comentavam que já esperavam “o próximo capítulo” e eu e Núbia víamos como isso o deixava feliz e foi assim que ele foi processando aquela partida repentina! Foram nesses momentos que eu entendi a imensidão do amor deles, e foi esse amor que me deu a vida! Foi um momento de muita dor, que eu tive que segurar até que eu voltasse pra cá, pois não queria que ele soubesse o quanto eu estava em cacos!

Hoje em dia tenho uma visão muito maior de minha mãe, porque nós seres humanos somos assim, a gente como filho, só enxergamos os pais a partir da gente, esquecemos que antes de nascermos eles foram crianças, adolescentes e até adultos e só depois se tornaram pais. E é sobre essa pessoa que vou falar. Minha mãe sempre foi muito inteligente e estudiosa. Ela contava estórias de seu pai, meu avô, que nos deixavam encantadas. Meu avô tinha uma cabeça muito aberta para seu tempo. Sempre fez questão que suas filhas fossem educadas nas melhores escolas e nos 3 últimos anos do colégio ela foi estudar no Sacré Coer do Rio. Ela já namorava com papai e no último ano de escola ela mandou uma carta para papai acabando o namoro pois ela tinha resolvido se tornar freira, com a melhor amiga dela na época. Ele ficou devastado mas não desistiu e quando ela foi passar seu último verão em Aracaju, ele fez ela desistir de ser freira. Ela fez vestibular e passou em Geografia e História. Não sei bem se o nome é esse, mas foi o que ela estudou. No momento não lembro quando ele pediu ao meu avô pela mão de minha mãe em casamento, mas sei que antes mesmo que meu avô dissesse alguma coisa ele disse: mas só nos casaremos quando ela concluir seu curso na faculdade. Sim, meu pai entendia que estudar era importante para ela e para meu avô. O casamento só foi adiantado pelo estado de saúde de meu avô.

Depois de casados foram para Maceió, pois papai já morava em Maceió e para ela, acredito eu pois nunca ouvi ela dizer nada sobre isso, foi muito difícil, pois ela não conhecia ninguém em Maceió. Minha mãe acreditava que a mulher tinha que ser independente e com suas qualificações foi ensinar geografia no Colégio Benedito de Morais. Certa vez ouvi uma conversa que a mulher que trabalhava naquela época era porque o marido não tinha condições de sustentá-la, mas ela não se importava com isso, nem tão pouco meu pai que entendia como minha mãe foi educada.

Quando éramos pequenas ela nos ensinou e eu como detestava estudar e comecei a tirar notas péssimas ela sentava comigo e me ensinava tudo. Pra mim era tortura, mas hoje vejo como um momento especial que eu passei com ela, muito mais que meus irmãos pois era taxada de ‘preguiçosa’ mas acho que era mais que isso, acredito que eu tinha dislexia, até hoje eu acho que tenho isso. Mais tarde descobri que eu gostava de estudar história com ela, pois ela contava tudo como se fosse uma grande aventura e aquela leitura chata que as letrinhas pulavam na minha frente virava uma grande descoberta. Até hoje eu gosto de história porque ela transformou tudo numa grande diversão e a chatice só ficava mesmo com as datas que tinha de decorar. Minha mãe não só me ensinou a lição de casa. Ela me ensinou a rezar, ela me ensinou a respeitar, a brincar, a falar , a andar e o mais importante, ela me ensinou a amar!


Eu cresci num tempo em que se assistia muitos filmes americanos, e séries como Os Waltons, e naquela ‘fantasia’ tinha aquele costume de algum aluno trazer uma maçã para a professora, como forma de carinho ou agradecimento. Nunca vi minha mãe chegar com uma maçã que ganhou de algum aluno, mas a maçã tornou-se um símbolo para os bons professores e foi pensando nisso que resolvi juntar essa matéria sobre minha mãe que mereceu muito mais que uma maçã, mas uma árvore inteira, ao vídeo que fiz no Castelo de Sissinghurst, onde eu vi a macieira mais linda de minha vida, carregada de maçãs vermelhas que dava até pena de tirar uma maçã para não perder nenhum momento de beleza.


E para não desapontar minha mãe, vai aqui um pouco de história desse castelo, que na verdade é uma torre, com um jardim/pomar enorme. No começo esse lugar era uma fazenda de porcos, e seu nome se deu por ser uma terra dos saxões que chamavam de ‘saxonhurst’ e hurst significa floresta. Recebeu o nome de castelo quando as construções locais foram usadas como prisão de marinheiros franceses que eram capturados pelos ingleses durante a guerra dos 7 anos. Eles viviam em celas sujas, fedorentas, com pouquíssimo acesso ao ar puro ou água limpa. Esses prisioneiros se referiam a prisão como ‘le chateau’ o que foi colocado no nome, porém, com certeza que eles o chamavam de castelo por sarcasmo!

E fazendo uma viagem no tempo pois não dá pra contar a história do castelo toda, chego no século XX quando Vita Sackville-West , uma poeta, escritora, novelista, jornalista e designer de jardins, junto com seu marido Harold Nicholson compraram o castelo no começo dos anos 30 o castelo era bem diferente do que se vê hoje em dia. Nenhuma das construções do local eram habitáveis, mas foi o ar romântico do local que encantou a poetisa. Ela adorava rosas e com seu marido eles criaram o jardim das rosas. Ela era uma jardineira instintiva e não gostava de ver o chão, então plantava para cobri-lo. No final dos anos 30 eles abriram os jardins para visitação pública. O jardim e o pomar forma feitos por ela. Seu marido, também um escritor construiu uma pequena casa, onde ele tinha uma vista magnífica e tinha que sair de casa e atravessar o pomar para lá chegar para escrever! Quem dera eu poder ter um lugar assim para escrever!


Foi nesse pomar que vi essa macieira que me trouxe na memória várias lembranças de minha infância, tipo Branca de Neve, os Waltons e outras estórias românticas, porém uma foi a lembrança de minha mãe, de quando ela era criança. Ela contava que uma vez a madrinha dela veio do Rio pra Aracaju e trouxe de presente para os sobrinhos uma maçã. Vocês devem até pensar que foi um presente mixuruca, mas não, na época era muito difícil chegar no nordeste frutas de clima temperado. Não tinha como transportar. Eu sou do tempo que só comia morangos quando ia pro Rio ou São Paulo. Então minha avó dividiu a maçã entre seus 3 filhos. Meus tios logo comeram seu pedaço, porém mamãe guardou o pedaço dela para levar para o lanche na escola, numa forma de mostrar aos amiguinhos que tinha um pedaço de maçã, mas pra sua decepção quando tirou o pedaço da fruta da lancheira notou que tinha apodrecido e ficou triste, mas aprendeu a lição de que maçã tem que ser comida logo pra não estragar! Rsrs…

Minha mãe foi uma criança tímida e calada. Foi uma adulta tímida e calada. Foi uma mãe carinhosa, tímida e calada. Um casal perfeito, ela calada observava tudo e papai o falador que tinha o maior orgulho de contar para todos que tinha casado com essa preciosidade que falava francês fluentemente; e que quando fez as provas de francês mais difíceis foi confundida com uma francesa; que segurou a mão dele quando perdemos Adriana e Ricardo, e mesmo depois de ter sido diagnosticada com o mal de Parkinson ela continuava segurando a onda de todos nós. Minha mãe foi avó e mãe de minha filha! Aprendemos juntas a ser mãe por correspondência! Isso mesmo, ela sempre me consultava no que fazer sobre a Nanda e toda educação dada a ela foi feita por carta, que discutíamos os passos a serem tomados e eu pude ser mãe de minha filha, mesmo que ela não me considere mãe, mas minha mãe sempre fez questão disso, e quando eu dizia pra ela decidir, ela me dava bronca, mesmo sabendo que eu decidiria do jeito que ela queria pois afinal foi ela quem me educou!


No meu caso caros leitores, a função de professor confundiu-se com a função de mãe, porém não é por isso que vou desvalorizar todos os professores e todas as pessoas que me ensinaram e ensinam, pelo contrário tenho mais respeito e valorizo a todas essas pessoas que se deram e se dão para que eu tenha aprendido e que continue aprendendo, pois a vida é um eterno aprendizado!


A vocês professores desejo uma macieira, pois são vocês que abrem as portas do mundo para nós, meros mortais!

Como sempre deixo vocês com minhas fotos, minha poesia visual e o vídeo do Castelo de Sissinghurst!
Viva a minha vigésima coluna!
Até a próxima!
Aída































Respostas de 23
Que homenagem linda Aída, parabéns , como sempre me emociona muito.
Grata 🙏🏼 Rita! O bom de escrever esses fatos do passado fazem os leitores reviverem suas próprias experiências! 😘
Parabéns por mais um lindo texto ! Aguardo ansiosa pelos próximos textos !
Grata 🙏🏼 Fariza! Espero continuar preenchendo as expectativas! 😘
Parabéns Aída por mais um texto rico em detalhes, de fácil leitura e com fotos maravilhosas…
Grata 🙏🏼 Tadeia! As vezes penso que meu textos ficam cansativos por causa dos detalhes… mas receber essa crítica me inspira pra continuar assim do meu jeitinho! 😘
Quanto carinho Henrique! Grata 🙏🏼! Com certeza ele aprendeu muito com ela e vice versa! Você e todos os leitores também me inspiram! 😘