Queridos leitores,
Diante do recente julgamento da Débora, peço licença a vocês, meus leitores e a essa publicação, para mostrar minha indignação, não só em relação a ela, mas em relação à inexistência de justiça no Brasil.

Não sei se as pessoas se dão conta de que o batom, o item de maquiagem mais usado, é um símbolo de liberdade de expressão, vou contar o porquê. No final do século XIX e começo do século XX, maquiagem era considerada uma coisa que só atrizes e mulheres da vida usavam, se uma mulher de boa família usasse não era bem vista, então essas, usavam muito discretamente. Iam nas farmácias comprar tais produtos, tipo pó, rouge e batom, por ‘baixo’ do balcão. Que repressão! Aí, chegou o Mr. Selfridges, um americano que veio para Londres e quebrou esse tabu, colocando os cosméticos nas vitrines para que todas as mulheres pudessem comprar sem ter vergonha e o batom era o principal produto, assim, as mulheres, em geral, puderam se expressar livremente, mostrando sua vaidade! Viva Mr. Selfridges!

Quantas noivas já maquiei! E o dilema fica sempre na cor do batom. Sempre dizia para elas: ‘o batom é o mais importante nesse momento, pois vai adornar seu sorriso, seus lábios serão o centro das atenções quando você disser o sim, e na hora de fechar o contrato eles também serão sua assinatura, na hora em que beijar seu noivo!’ Elas adoravam quando eu dizia isso, e quantas delas mudaram de uma cor sem graça para uma cor mais vibrante por causa dessa minha descrição.

Quando algo que me entristece acontece recorro à terapia do batom. Que terapia é essa? Vocês devem estar me perguntando? E eu digo: dependendo da tristeza a cor do batom varia, mas a terapia não é a cor, mas sim o que sinto quando aplico um batom. Sinto-me mais viva, mais forte e bonita. As pessoas passam por mim e sorriem (o batom vermelho é o melhor de todos) e essa energia vem do batom, ao final do dia, a tristeza sai do meu coração e tenho mais discernimento para olhar para o que me causou tristeza!

Quem nunca deu risada em dar um beijo em alguém querido e deixar a marca do batom? Eu adorava quando mamãe deixava essa marca. Sempre achei que era um modo de expressar seu amor, e a mancha do batom era prova disso… no lado romântico também, sempre gostei de sujar meus namorados de batom… era (no passado, pois fazem muitos anos que não namoro) como se eu estivesse dizendo para ele que eu o amava e queria que o mundo todo soubesse, porque o beijo é amor, e a marca do batom é aquela confirmação depois do beijo!

Então, eu vejo que uma mulher, por inveja ou pura maldade (será que as palavras pura e maldade podem estar juntas?) fotografa a Débora, descobre tudo da vida dela nas redes sociais e entrega para a polícia de bandeja. Será que ela foi paga para isso? Aí, um tirano qualquer, decide que essa moça é uma criminosa por usar o batom para se expressar, mais uma vez o batom… e ela nem foi original pois escreveu uma frase dita por outro tirano! Não entendo porque esses ‘poderosos’ querem sempre escravizar o povo?

A Débora não só perdeu seu batom, mas perdeu sua liberdade, a convivência com seu marido, filhos e toda família, mas por outro lado, ela ganhou uma nação inteira de amigos que não vão se calar até que ela seja libertada dessa maldade. Não será fácil, mas Deus está com ela e com todos que lutam por sua liberdade! E eu sou uma dessas na nação de amigos!

Força e fé pois eu tenho certeza que isso vai passar, e você vai de novo poder sorrir com seus lábios pintados de batom!

Até a Próxima!
Aída

A loucura me faz pensar,
Que mal o batom faz?
Talvez a vaidade alimentar,
E para encantar o rapaz!
O batom não é arma,
E sai com sabão e água,
Nessa situação bizarra,
Não estragou a estátua!
Eu escrevo de batom,
Liberdade para Débora,
Grito em alto e bom som,
Liberdade para Débora, agora!
Aída
28/03/25






























Respostas de 16
Aída,
Você brinca com a maquiagem como ninguém.
Essa situação que a Débora passando é muito triste, ela só estava lutando por liberdade.
Beijo.
Obrigada Dione, você falou certíssimo, maquiagem é uma brincadeira e nunca uma arma! Esse episódio da Débora mexeu demais comigo, aliás , todos os patriotas presos tem tirado a minha vontade de voltar ao Brasil…