sexta-feira, 24 de abril de 2026 – 00h58

Queridos Leitores,

Estou aqui parada na frente do computador, tentando escrever mais uma matéria, e achando tão irrelevante diante de tudo que tem acontecido no Brasil. Já fiz a minha parte no que diz respeito a ajuda, e tenho o Brasil inteiro em minhas orações. Gostaria de fazer um pouco mais, mas não tenho como, então vou seguir o conselho que Churchill deu à Helena Rubinstein, quando ela perguntou a ele o que poderia fazer para ajudar durante a guerra, então ele respondeu: ‘Continue fazendo o que você faz de melhor, embelezando as mulheres para quando nossos soldados voltarem para casa!’ Talvez não seja tão boa em escrever quanto Helena Rubinstein foi em embelezar as mulheres, mas vou fazer assim mesmo!

O Ponto vermemlho é Kinver, e do outro lado da linha onde moro!

Hoje vou falar de um lugar tão diferente, que muita gente daqui não sabe da existência e que data do século XVIII, porém parece mais ser da idade da pedra.

Fica na linha de fronteira entre os condados  de Worcester (área do molho inglês) e Staffordshire, bem perto de Birmingham. O nome do lugar é A Borda de Kinver e as Casas da Rocha( Kinver Edge and the Rock Houses), que fica uns 15 minutos andando da Vila de Kinver. Lá existem várias casas que foram cavadas no arenito vermelho e macio.

O momento Fred Flinststone… Primeira vista das casas!
Mais casas na lateral…

O primeiro registro dessas casas são de 1777 quando Joseph Heely, por causa de uma tempestade, um família o abrigou. Ele descreveu que ‘as casas de pedra eram lares perfeitos, quente no inverno e frescas no verão’. Eles tinham água do poço e mais tarde gás, mas nunca tiveram eletricidade. Os espaços internos eram determinados pela quantidade de arenito que poderia ser cavado. Em 1861 o censo registrou 11 famílias morando nessas casas.

A última casa da lateral, e primeira casa que entrei

Esse lugar virou uma atração turística no começo do século XX, e os moradores serviam chá aos visitantes, de suas próprias casas. Um café continuou funcionando lá até 1967, pouco depois que os últimos habitantes se mudaram. Depois que o Café fechou as casas ficaram abandonadas, e o vandalismo, o matagal e as condições climáticas quase destruiram as casas frágeis.

Essa era a dispensa e também geladeira.
Aqui a cozinha, a comida era cozinhada na lareira ao fundo

Em 1993, as casas da parte de cima foram restauradas, e a restauração foi baseada em fotos e memórias do passado. Os jardins também foram restaurados e hoje existe um café no lugar mais alto da pedra, junto a uma das casas, essa não foi restaurada, mas acredita-se que a pessoa que morava nela era uma Ervanária ( uma mulher que estudava ervas medicinais).

Vista do outro lado da cozinha que também era sala de jantar
Um dos quartos…
Ao pé da cama uma cômoda e uma máquina de costura
Apetrechos usados para lavar o rosto e as mãos

Quando descobri esse lugar olhando o site do The National Trust eu fiquei super curiosa, e tive que esperar até o verão, pois quando achei a maioria das atrações já estavam fechadas por causa do inverno. Acredito que foi o último passeio que fiz com meu cartão do National Trust e tive que fazer em 2 dias pois não aguentava dirigir por tantas horas. Hospedagem foi bem difícil de achar e terminei ficando num lugar que aqui chamamos de ‘bedsit’ ou seja é um quarto que é praticamente um apartamento completo… bizarro alugarem por uma noite!

Uma das fotos mais bonitas desse passeio que teviram várias
A cômoda do quarto e eu no espelho

Foram mais de 3 horas de viagem, contando com parada para almoçar e trânsito, e quando cheguei lá na cidade de Kinver, não na vila, estava muito cansada, mas feliz de ter chegado. Fiz o check in e sai para comprar comida, tinha um chinês bem perto, ai fui andando para esticar as pernas.

No outro dia, me aprontei, fiz meu café e peguei a estrada novamente, era perto. O dia estava de sol, mas tinha chovido muito então estava fresco e molhado. Estacionei o carro e fui direto em direção às casas. Até a bilheteria onde apresentei meu cartão, tudo beleza, mas dali em diante era uma subida íngrime e em muitas partes a terra molhada era escorregadia, mas não foi ruim, subi e assim que me deparei com as casas fiquei de queixo caído… na minha mente só veio o grito do Fred Flintstone: ‘Wilmaaaa, cheguei’!

Essa é a saída de um salão de festas, tinham até um salão de festas
Mais outra foto que me orgulho!
Vista da lateral, o caminho da direita vai pras casas da lateral e o da esquerda para as casas da frente e o poço
A casa que foi restaurada baseada em fotos do século XVIV, as da lateral eram estilo século XX
A cozinha e sala de jantar da casa mais antiga

Depois de visitar todas as casas, subi mais um pouco, passando pleas hortas e chegando no café. A vista lá de cima era fenomenal. Depois de fazer um lanche resolvi ir ver a Fortaleza da Colina de Kinver. Foi um exagero, a subida dessa parte era pior ainda… porém  cheguei lá em cima, quase sem fôlego. Hoje a Fortaleza são marcas no chão, mas a vista terminou de tirar o resto do fôlego que tinha!

Do outro lado da cozinha!
A prateleira com garrafas, me encantou
Pra mim essa foto é pura poesia!

Com as tragédias que tem acontecido por causa das chuvas e rever esse lugar me faz pensar na resiliência humana, como no pequeno vídeo eu faço uma divagação sobre peregrinações que fazemos e as que temos que fazer… e essa é a maior resiliência que nós seres humanos temos, um dia a gente escolhe nossos passos, mas no outro temos que seguir os passos que nos foi imposto para sobreviver!

Deixo vocês com um pequeno vídeo, várias fotos e um poema para tentar aliviar o meu e o coração de vocês!

Até a Próxima!

Aída

Dedico essa coluna à todas as mães, com sua resiliência e sua fé! Sem elas não existiríamos!

A luz nesse quarto estava demais…
Privilégio de morar perto do poço !
A casa fechada foi interditada por ser a moradia dos morcegos, e por lei não se pode eliminar morcegos nesse país
Lá em cima no café …
Uma mesa bem reservada!
Detalhe da casa ervanária, que não foi restaurada
Num momento inspirador na casa da ervanária tudo funcionou e essa luz… outra foto que me deixou orgulhosa!
Eu no café!
A vista da mesa onde eu sentei… outro momento inspirador!
A pedra e a vista… nesse dia eu tava que tava!
Começando meus ensaios… rsrs
Ficando mais ousada!
Me sentindo em casa!
Feliz da vida!
Lá de baixo!
Mostrando o óbvio!
Tá parecendo que alguém me pegou de surpresa… rsrs
Óia eu feliz de novo!
Na Fortaleza da Colina de Kinver, como ela teria sido
Porque eu gostei muito da sombra da árvore
O marco com o mapa, mostrando toda área!
Mais um pequeno ensaio!
Com a chuva no horizonte!

Em toda beleza do mundo,
Não importa a cor ou tom,
O principal vem do fundo,
Sem palavras ou som.

Ao explicar a beleza,
Aos olhos parece incoerência,
É preciso ter no rosto a leveza,
E na alma a essência!

Aída
08/07/21

Respostas de 8

  1. Que lindo,bizarro…realmente Aida querida, uma experiência pedestal…casas incríveis…vc se sentiu muito bem…fotografia linda,a subida também…suas peregrinações vão além,realmente o caminho espiritual à Compostela é único….mas suas metas justificam o início, meio e fim…sem fim!!!!!

    1. Obrigada Cris, eu adorei esse lugar, achei de uma tremenda criatividade cavarem casas na rocha…. Sim a caminhada espiritual à Compostela é único, mas minhas caminhadas espirituais também me levam a encontrar a beleza para os olhos, a alegria para o coração e a paz de viver! 😘

    1. Muito obrigada Eveline! Foi um passeio muito massa mesmo… encheu meus olhos de beleza e meu coração de alegria! 😘

  2. Agradeço a você por nos presentear com mais um passeio junto contigo. As paisagens mostradas através das fotos e vídeo são belíssimas.

    1. Querido Albino,
      Achei que diante de tudo e por ser também o dia das mães, quiz fazer uma coisa leve e diferente! Esse passeio estava guardado, nunca tinha mostrado as fotos dele, queria que fosse uma surpresa! Obrigada por sempre deixar seu comentário! 😘

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