Caros amigos e amigas leitores da nossa coluna.
Nesta semana, no dia 21 de março, celebramos o Dia Mundial da Poesia. E eu queria começar parafraseando um vídeo que assisti da nossa querida poetisa mineira Adélia Prado. Com sua maestria, ela nos fala sobre a poesia como quem revela um segredo sagrado, e nos presenteia com uma definição que ressoa como um sopro divino:
“Para mim, a poesia é realmente um rastro de Deus na brutalidade das coisas.”
A poesia, então, se torna esse fio invisível que nos resgata do peso do mundo, um encantamento que rejuvenesce não só a alma, mas também o corpo. Adélia nos prova que amar e sentir não têm idade, que a beleza e o assombro podem nos visitar a qualquer instante, desde que estejamos abertos ao mistério. Todo dia a poesia nos faz surgir e ressurgir conforme seu ritmo, e assim foi também para Adélia em 2024, quando recebeu o Prêmio Camões, importante reconhecimento e merecido para uma autora que em suas quase completas nove décadas, faz da palavra um abrigo e um assombro corriqueiro.
A poesia brota do sentimento e da arte. Ela nos conduz ao encontro entre sanidade e loucura, e é nesse limiar que se descobre a vida. Dizem que a poesia é inútil, mas quem dera soubéssemos gastar mais tempo com ela. Porque tudo é palavra, e na realização poética reencontramos o contato com Deus, ainda que sem perceber. Diferente dos cálculos e da matemática, na poesia repetimos, falamos, voltamos atrás, e não nos damos conta que o tempo passou. Sempre há uma nostalgia presa entre as sílabas, um retorno ao que fomos, ou ao que ainda somos.
Santo Agostinho buscava o eterno, e talvez seja por isso que a poesia também nos prende – porque nela existe algo que não passa. Ela é uma fome boa que nunca se sacia, um eco que ressoa sem nunca se esgotar. A poesia nos permite transformar o cotidiano em transcendência. Porque admirar o que é natural já é, por si só, um ato de criar beleza. E não há nada mais humano do que encontrar poesia no comum, no instante breve, no gesto simples.
O poeta é aquele que percebe o extraordinário no ordinário, que faz de uma rua qualquer um palco para o lirismo, que escuta, em meio ao ruído da cidade, os versos ocultos na pressa dos dias. É na poesia que os pequenos acontecimentos ganham significado, que o efêmero se torna eterno, que o que era apenas um momento se faz memória.
A realidade, quando vista pela poesia, transpõe barreiras e nos leva para além do que se vê. Ela nos ensina a olhar para o mundo com outros olhos, a perceber o invisível, a sentir a grandeza escondida no detalhe. A poesia humaniza, aproxima, dá voz ao que não é dito. Ela não impõe regras, não exige explicações, apenas convida à entrega. No meio da dureza dos dias, é ela que nos devolve o encanto. E talvez seja exatamente isso o que nos mantém vivos: a capacidade de continuar nos surpreendendo com a beleza.
E para encerrar, volto à nossa querida Adélia Prado, que nos lembra que, no fim das contas, tudo o que queremos é sermos felizes. E a poesia, com sua delicadeza e força, nos ensina que a felicidade pode estar justamente onde menos esperamos: no voo despretensioso de um pássaro, na brisa que entra pela janela, na palavra certa lida na hora exata. Porque a poesia não está apenas nos livros – ela está na vida, para quem souber enxergar.
Convido-os a ler mais, sentir mais, compartilhar mais e viver mais com menos velocidade.
Até a próxima semana caros leitores e amigos.
Para conhecer um pouco mais da poetisa Adélia Prado, acompanhe o seu Instagram e assista






























Respostas de 2
Realmente existe um toque divino na simplicidade da poesia que está ao nosso redor. Parabéns pelo texto!
Muito marcante o texto.
Nos tempos acelerados em que vivemos… ler reportagens como esta são como aqueles momentos em.que inspiramos bem fortes e expiramos o gás carbônico doa nossos pulmões.
Que texto forte e sensível!
É a poesia que nos move ❤️
O rastro de Deus na poesia é a maneira de nos conectarmos com o divino. O sair do cotidiano massacrante, e respiramos aliviados pela nossa existência. Para nós leitores compartilhar esta escrita nos faz navegar para outros rumos, que só os amantes da poesia sabem seu significado. Grata por este instante.