quarta-feira, 13 de maio de 2026 – 14h34

A poesia em Chico

O acendedor de lampiões: a chama antiga, mas sempre acessa
Chico de Assis interpretando 'Jorge de Lima e a Invenção da Poesia' - Foto: Reprodução/Youtube

Caros amigos leitores, convido-os a viajar por essa memória viva, onde a poesia se funde à arte, e a luz se torna símbolo da cultura alagoana.

Torna-se até estranho o convite, pois, em tempos em que as redes tecem o inefável e nossos passos se digitalizam sem que percebamos, somos envoltos nessa teia. Hoje, falar em chama antiga, lampiões e luzes é quase como um encanto: recordar aquela luz de outrora que, em noites serenas, iluminava nossas ruas e corações.

E por falar em luzes, minha lembrança se volta para a poesia de nosso ilustre Jorge de Lima, especialmente para o poema “O Acendedor de Lampiões”, no qual o jovem poeta traçava o crepúsculo em versos. Nele, a figura que, ao entardecer, percorria a cidade acendia não apenas os lampiões de gás, mas também as labaredas da alma:

“Acende os lampiões de gás.
Depois, acende os lampiões da Lua…”

Recordo-me que foi em uma dessas interpretações que conheci o ator Chico de Assis, que, com a mesma luz, deu vida à arte e à cultura ao celebrar os versos de Jorge de Lima. Não seria ele, também, um desses acendedores? Com espírito impregnado de cultura, Chico de Assis transformava cada gesto no palco em uma chama que se recusava a se apagar, levando nossa cultura aos quatro cantos do Brasil com seu olhar sereno.

Francisco de Assis Carvalho Júnior, nosso amigo Chico de Assis, sempre teve na arte seu propósito. Sobrinho-neto do maestro Fon Fon, cresceu acreditando que o oxigênio que respirava era feito de cultura. A arte é assim: ao adentrarmos suas portas, o mundo se transforma e, ao longo do caminho, novas histórias nos aguardam para serem contadas.

Aos oito anos, ao subir ao palco para encenar um Auto de Natal, já mostrava que seu destino seria perpetuar a cultura de um estado que pulsa vida. Na escola pública, entre o folguedo de Mestre Pedro Teixeira e os contos da tradição popular, aprendeu que a vida não se escreve em linhas retas, mas em versos e cenas que desafiam o tempo. A arte não se aprende; ela se é.

Feito um teatro que não morre, que resiste e fala por aqueles que não têm voz, Chico de Assis é a memória viva da cena alagoana, onde cada peça carrega o peso e a beleza de um estado pulsante de cultura. E não é somente no teatro que sua luz se irradia. Nas telas do cinema, suas interpretações ecoam com a mesma intensidade dos lampiões acesos nas ruas antigas, e em cada performance o ator nos convida a redescobrir a beleza de uma cultura que resiste e fala por aqueles que, muitas vezes, não encontram voz.

Para Chico de Assis, a arte é como o acender contínuo de luzes que nunca se apaga – a resistência do sentimento, a poesia em movimento que transforma o palco, a tela e até os recantos mais singelos em cenários de esperança e encantamento. Assim como Jorge de Lima nos incitava a acender não apenas os lampiões, mas também as almas, Chico de Assis segue, incansável, escrevendo sua história com gestos que brilham.

Que possamos, então, celebrar este acendedor de destinos, este eterno ator que, com a devoção de quem segura uma chama antiga, nos convida a acreditar que a cultura é um farol que nunca se extingue. Pois, na arte, como na vida, um verdadeiro intérprete não se apaga – ele sempre brilha.

Que bom que o espetáculo nunca terminou. Nosso ator, Chico de Assis, continua a acender luzes, porque um ator não se apaga – ele brilha. Assim como Jorge de Lima, encontramos em Chico de Assis o mesmo ser luminoso que convida-nos a acender lampiões e entramos e cena buscando na nossa cultura  nossa essência e pertencimento de sermos alagoanos.

Até a próxima semana leitores amigos,  e não esqueçam de mantermos a chama da  cultura em nós sempre acessa.

Para que não conhece a interpretação Chico de Assis em Acendedor de Lampiões.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também