Corre, corre, corre… Aonde vamos chegar? Estranho esse comportamento. E, no final, não nos leva a nada ou a lugar nenhum.
Começo esta coluna olhando ao redor e pensando: hoje você abriu a janela e percebeu que o mundo lá fora continua no mesmo lugar? Sem resposta, concluo a reflexão: menos as pessoas, essas estão sempre em movimento. E, então, o que mudou?
Às vezes muito pouco, ou um pouco de muito, e nós não nos damos conta dessa mudança. De forma sorrateira, ela nos leva junto, como em um barco sem destino. Apenas entramos e seguimos conforme o vento. E o vento que nos leva não deixa rastros. Tudo ao redor se dissolve no contato com a água.
Os dias vão se passando, e o que é vivo e pulsante vira peça de museu. Para os admiradores, muito importante; para os curiosos, algo bem diferente; e, para a maioria das pessoas, apenas objetos de decoração, sem pulsar, sem vida, em plena ausência de cor.
É sobre isso que desejo conversar com vocês, meus caros leitores (sim, assim os considero). O nosso pulsar está vivo na nossa cultura, embora, muitas vezes, desfocada e míope. Sua representação é vibrante e está bem próxima da nossa janela. Todos os dias, somos convidados a participar de uma cultura viva que se manifesta em cada gesto, palavra, som, olhar, cor e sentido.
A cultura somos nós, nas coisas simples que fazemos, no jeito como nos comunicamos, na comida que preparamos, nas histórias que contamos e até no silêncio que compartilhamos, de forma sincronizada, com o outro. É o que nos conecta ao passado, ao mesmo tempo em que nos impulsiona para o futuro.
Quando abrimos essa mesma janela para observar o mundo, percebemos que a cultura não é estática, nem está presa a peças de museu ou narrativas engessadas. Ela é movimento, transformação e renovação constante. Está nas danças que aprendemos com os nosso avós, nos sotaques que carregamos como herança, nas festas populares que unem comunidades e nos pequenos rituais do dia a dia que passam de geração em geração.
Mas será que estamos enxergando isso? Será que reconhecemos o pulsar da cultura em nós e ao nosso redor? Ou estamos deixando que ela se perca, como o vento que se dissolve na água?
A cultura viva precisa de engajamento. É um convite diário à participação, seja apoiando os artistas locais, frequentando apresentações culturais, passando adiante receitas familiares ou simplesmente ouvindo as histórias de quem veio antes de nós. Cada pequena ação mantém essa chama acesa, garantindo que nossa identidade, tão rica e plural, continue vibrando com cor e significado.
E, mesmo no meio da correria – esse “corre, corre” que nos consome –, é possível encontrar momentos para se reconectar com o que nos faz humanos. Basta olhar ao redor com mais atenção. A cultura não está apenas nos grandes eventos ou nos livros de história; ela mora no sorriso do vizinho, no batuque de uma roda de samba, no artesanato exposto na feira da praça, e até nos ditados populares que teimamos em repetir sem perceber.
Por isso, caros leitores, aceitem este convite: parem, olhem, vivam. Reconheçam e celebrem a cultura viva que pulsa dentro de cada um de nós. Afinal, ela é o fio que tece nossa humanidade e nos dá sentido para seguir, mesmo quando o destino parece incerto.
Deixemos de apenas “seguir o vento” e, em vez disso, façamos do nosso barco um lugar onde as histórias, as tradições e os sentimentos que nos definem possam navegar juntos, com propósito e cor.
Aguardo vocês para contarmos novas histórias e descobrirmos o que está escondido, tão próximo aos nossos olhos.






























Respostas de 7
Artigo muito bom Ana, realmente a cultura esta em movimento, e transformação embora não devamos nós esquecer das referências do passado
Parabéns Karlinha! Obrigada por nos fazer refletir sobre isso!! 👏🌹
Parabéns Karlinha! Isso faz todo o sentido!
Contemplar com delicadeza os feitos ao nosso redor e se sentir parte desses feitos. Excelente reflexão. 🌹
Suas palavras são perfeitas, Ana. Muito bem colocadas, e que nos leva a refletir sobre o nosso papel cultural e responsabilidades diante da sociedade em que vivemos!
Excelente e necessária reflexão!
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Lindíssima reflexão 🥰 vamos viver nossa cultura, aproveitando cada momento.
Belíssimo texto. Vale a pena refletir sobre isso. Parabéns Ana.