Toda ciência que se preze utiliza de um conjunto de etapas para a validação de uma ideia, que tenta responder a uma pergunta sobre o universo em que vivemos. Esse conjunto de etapas é chamado de Método Científico. O nome pode parecer um pouco intimidador, mas, na verdade, é algo bem simples e de senso comum, como você poderá confirmar após ler essa coluna.
Não existe um número de etapas fixo ou uma maneira determinada de descrever um método científico; no final, tudo leva a uma mesma ideia, que é a de verificar se uma hipótese criada para explicar algum fenômeno natural é válida ou não.
Irei dividir essa ideia em cinco partes: observação, pergunta, hipótese, experimento e exemplo aplicado na prática.
Observação
Imagine que você está na Idade Média, sem energia elétrica, internet, celular, utilizando velas para iluminar o seu ambiente, quando, de repente, um vento forte atravessa a janela e apaga a vela. Você, instigado pelo fato de a vela se apagar (observação de um fenômeno natural), tenta explicar o porquê de isso ter acontecido.
Essa etapa simples, como se pode avaliar, é crucial para todo o resto de desenvolvimento do processo. Sem o homem observar o fenômeno e, mais importante ainda, sem se interessar em entender o mundo ao seu redor, nenhuma ciência pode ser desenvolvida. É a nossa curiosidade e o nosso poder de observação sobre o mundo que faz toda a engrenagem girar.
Pergunta
Instigado pelo fato de a vela ter se apagado com o vento, você começará a fazer perguntas: – A vela se apagou por causa do vento, ou teve algo a mais?
Assim, como na etapa anterior, fazer questionamentos ao seu redor e a respeito de uma situação é muito importante. O principal aqui é saber o que perguntar e como perguntar.
Muitas vezes, fazemos questionamentos que não têm muito sentido, ou que são mal elaborados. Uma pergunta tem de trazer apenas uma dúvida, tem que ser simples e de fácil compreensão.
Caso uma pergunta seja muito difícil de ser respondida, uma a que muitas pessoas tentaram responder sem sucesso, é bom perceber qual o problema na pergunta em si e não na dificuldade do problema.
Hipótese
Para tentar responder às perguntas criadas, elaboramos uma hipótese. Um aspecto que determina se uma hipótese é boa ou não é o fato de ela pode ser testada por diversas pessoas em qualquer tempo e qualquer lugar; mas não será uma hipótese válida se acharmos que a explicação para o fenômeno é mágica ou sobrenatural (não porque isso não possa ser considerado pela ciência; mas, sim, porque não é fácil provar um fenômeno por esses meios).
No nosso exemplo, uma hipótese válida seria a de a vela ser protegida pelo vento. O fato de a vela se apagar ou não se apagar é uma hipótese válida. Inválida seria um ser mágico apagar a vela. A primeira é válida porque podemos fazer testes para ver se é verdade ou não. Já a segunda não tem como sabermos se um ser mágico estava ali e a vela já estava acessa com a janela aberta, foi a variável vento que mudou.
Em resumo, para ser considerada uma boa hipótese é preciso que ela seja validada em diferentes situações (independente do tempo e local), testada com dados coletados a partir da observação e por meio de experimentos. Por sinal, é nossa próxima etapa.
Experimento
O objetivo dessa etapa é criar um experimento capaz de provar a nossa hipótese. Caso ele falhe, adaptamos a nossa hipótese ou criamos uma novinha em folha.
O processo de pensamento funciona mais ou menos assim: eu tenho uma hipótese que preciso verificar a validade; caso consiga, estarei explicando o fenômeno de maneira convincente. No nosso caso, o que aconteceria se eu cobrisse a vela?
Em seguida, pensaria numa forma de criar o experimento, que seja replicável em qualquer lugar e tempo. Poderia colocar um papel na frente da vela e esperar outro vento passar e ver se a vela se apaga ou não. Depois tentar colocar outros materiais que a cobrisse inteiramente, não somente como uma tela de proteção, e continuar vendo se ela se apaga ou não.
Por fim, vendo o resultado do experimento, percebo que, ao colocar o papel na frente da vela, evito que o vento entre em contato com ela, fazendo com que permaneça acesa.
Algo surpreendente pode acontecer no segundo caso. Ao cobrir a vela, ela também se apaga, mesmo que o vento não tenha tido contato com ela
Nesse caso, a nossa hipótese foi provada, mas um novo questionamento surgiu, sendo necessário a criação de uma nova hipótese para que seja possível a elaboração de uma ideia que explique totalmente o fenômeno, não somente uma parte dele, como ocorreu aqui.
Conclusão
Assim funciona o método científico. Espero ter conseguido dar uma boa noção como ele pode ser aplicado. Gostaria de falar mais algumas coisas a respeito dele na próxima sessão.
Depois do método científico
Com o passar dos anos, uma hipótese que tenha sido sujeita a novos dados, a novos questionamentos e tenha um poder preditivo (conseguir prever resultados de experimentos) ganha um respeito maior na comunidade científica e muitos a tomam como verdade e ela começa a ser chamada de teoria.
Não pense que uma teoria é criada no meio do nada, sem nenhuma base; pelo contrário, é um conjunto coerente de hipóteses que explica algum fenômeno da natureza e tem poder preditivo.
Teorias geralmente obedecem às leis físicas (princípios gerais sobre como o universo funciona que podem ser aplicados em quase todas as situações). Tente perceber a diferença entre teoria e lei, e não pense que uma é melhor que a outra, elas se complementam.
Nenhuma teoria está sujeita à ausência de questionamentos. Se novos dados, situações apareceram, e a teoria não conseguir explicar, ela tem que ser adaptada, ou, na pior das hipóteses, descartada.
É claro que existe uma tendência no meio científico para determinadas ideias em relação a outras, pois não vivemos num mundo ideal, longe disso; mas tenha em mente que nenhuma teoria é definitiva, mesmo que muitos não queiram acreditar nisso e defendem um lado como se fosse time de futebol.
Existe uma frase icônica do Newton: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”. Ele estava se referindo às pessoas que vieram antes dele e que fizeram contribuições que o ajudaram a ter suas próprias ideias. Sem elas, ele provavelmente não seria o que é hoje.
Então, é muito importante que todas as vezes que utilizar o trabalho de outras pessoas no seu próprio trabalho, dar o devido crédito ao autor. Isso é chamado Código de Ética na comunidade científica. É claro que nem todo mundo obedece, mas não seja uma dessas pessoas e tente seguir esse mantra:
“Generosidade, humildade, respeito pelas evidências e abertura a todas as ideias e opiniões”.
Até a próxima!





























