Por toda sua complexidade, o universo infanto-juvenil não cabe no mundo digital, onde as crianças e jovens estão mergulhados de modo infame, no âmbito de uma navegação construída para adultos. Um lugar que não acolhe, não protege, nem respeita. A vulnerabilidade das crianças, sobretudo no sul global, ficam escondidas na virtualidade das redes digitais. Muito além das fragilidades intelectuais, a falta de acesso, o desconhecimento do inglês, as plataformas determinam e controlam suas informações e seus interesses comerciais e algoritmos.
O século 21 traz para a humanidade inovações abismais, entre experiências quotidianas, genéticas e espirituais com a gente, infringindo as normas da natureza e impondo um super-controle sem leis específicas ou regras claras, além da manipulação integral dos pensamentos, coordenados por um poder que não tem uma digital específica. São sombras, com marionetes patéticas, corruptas, inescrupulosas e omissas, jogando um jogo sem brincadeiras, sem bandeiras, sem felicidade e sem amor, manobrados pelas Big Tech, Big Data, Big Money, Big Pharma.
As transformações baseiam-se nos padrões de coleta e tratamento de dados, dos globais aos pessoais, onde a liberdade, a segurança e a privacidade, com a mídia sensacionalista definindo os conteúdos e demonizando o espaço digital, a minimizar a habilidade das crianças de brincar livremente, do direito de sonhar e da liberdade de pensamento na construção da vida interior, da personalidade, do seu futuro, dos direitos à infância. Direitos já estabelecidos, em leis internacionais, onde o mundo virtual faz parte, dentre todos os outros ambientes.
Esses direitos têm sido minados pela Nova Ordem Mundial. Todo ordenamento estratégico para a globalização, da forma trágica com que as crianças estão a sofrer. E os danos colaterais, por irresponsabilidade dos governos e empresas, por não colocarem a segurança sobretudo. Ao impor essa mudança radical nos costumes, a transumanização, o que chamam de aprimoramento humano, sem reparar os efeitos psicológicos e emocionais da gente no ambiente digital e as suas consequências no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.
Do Vale do Silício para o mundo, as tecnologias tomam aspectos políticos e ideológicos, severos com as oposições, confabulado e aplicado, ditando um projeto de proporções exagerado, em clima de guerra mundial, com manipulação midiática, infortúnios biológicos, catástrofes ambientais, flagelo humano, em um drama real travestido em ficção científica, no cinema existencial do agora. Um experimento social em escala inimaginável, da soberba oculta que esquece que é na infância que tudo o que se faz, vê, sente e imagina acarreta a formação do futuro adulto.

Segundo a Unicef, 1/3 dos usuários de internet têm menos de 18 anos de idade, sem questionamento de práticas de exploração comercial no ambiente digital, principalmente pelo contexto de hiperconectividade e datificação de suas vidas, da vigilância onipresente, da assimetria desproporcional de poder diante as grandes empresas do setor. No Brasil, 89% das crianças entre 9 a 17 anos são usuárias de internet, e é importante deixar claro que o artigo 227 da Constituição Federal expressa o dever da sociedade, do Estado e das famílias de garantir e promover o direito das crianças, com prioridade absoluta, sempre em primeiro lugar.
Fonte: 5RightsFoundation






























Uma resposta
Parabéns pelo texto!! Lembrei-me do filósofo e sociólogo Polonês Zigmunt Bauman, em seu livro ” Amor líquido “, retrata as relações líquidas e sentimentos rasos predominantes nas redes sociais. Você trás com muita propriedade o pensamento de Zigmunt Bauman um alerta a mudança desse paradigma !!