Nossos pés possivelmente lêem os caminhos percorridos, registram a quilometragem em odômetro biológico fazendo métrica passo a passo, pé ante pé de maneira gradual, gradativa e detalhada. Em ritmos próprios de cada um. É assim com vocês atentos leitores?

Reconhecem os trajetos sendo capazes de perceber as camadas dos pisos, de calçadas e de asfaltos visíveis ao olho nu, mas também, do chão de ocultos paralelepípedos, contrapisos e até trilhos dos bondes de antigamente. Serão scanners em tempos digitais cibernéticos ou analógicos tartamudeantes palmilhadores de palmo a palmo. Convidamos a todos para passear no Centro de Maceió.

As rodas, assim como as velas das embarcações, soberbos inventos, nos levam. Entretanto há vantagem conferida que os pés levam as sensações podotácteis, andam os pés aos pares emparelham e ultrapassam, dançam, correm. Fazendo bem para a saúde. Qual é o cariz do Centro, minha gente?

Nosso modelo bípede, desde que empertigamos a coluna ato ancestral. Na maioria das vezes: com os pés sobe-se e desce-se. Salta-se e esquiva-se. Dribla-se. Dar-se meia volta ou volta e meia. Giro nos calcanhares. Estanca.
Esperneado. Capoeira. Frevo. Promenade . Trottoir.
Trocando os pés e sob os pés há toda uma arqueologia impressa nos caminhos cruzados, desenhados, repetidos, refeitos. Serão roteiros atávicos?
Beco do Moeda.
Caminhantes rumo aos destinos. Obrigados. Liderados por imperiosas tarefas. Metas delineadas. Coagidos que só.

Libertos por um salto na sarjeta, pelo grito de um pregão, pela esquiva de um poste ou lixeira colocados em calçada estreita. Quase esbarrando em outros transeuntes. Rua Agerson Dantas. Salvo pela cacofonia dos estilos, pelos alterados palimpsestos dos gostos.
Rua Augusta. No reclame na voz de Inaldo Roots.

No dobrar das esquinas, no encontro fortuito e na conversa furtiva. No olhar gracioso e convidativo. Rua da Boa Vista.
Na sombra. Rua do Sol. Do Imperador ou João Pessoa.
Caminhemos!

Caminhamos!
É através dos deslocamentos que dominamos os territórios.
No quebrar ângulos entre rumos e desarrumos. Em esquinados.
Caminhar é nossa marcha sobretudo. Sobre passo. Sobra não. Sossobra. Beco São José.
“Expresso Canela” que nos transporta por entre panturrilhas iguais, libertas e ligeiras.
Levam-nos os pés em passadas entre passantes. Na Rua do Comércio.

Exercícios de tatos permeáveis pelas solas em contraponto aos descalços. Na Rua dos Martírios e na Rua dos Deodoros.
Vem e vão os pés de modo a fazer medida: cem pés, cem passos, centopéia, calo, casco, passe de calcanhar. Pontapé, pernada, calcorre. Calcante.
Rua Melo Morais. Rua Cincinato Pinto.

No ir e no vir procuramos o semblante do Centro de Maceió. E como cabe tanto ao Centro, polo de atrações e novidades, perfeito amálgama de bairro consolidado, pleno de infraestrutura e de ligação entre tantos outros, ficamos supondo que o mundo cabe no Centro, tantas são as fisionomias das arquigrafias que hora se registram.

“Quem tem perna curta não faz passo largo”
“Andam deitados, dormem em pé”
Pisam nas pegadas e andam a esticar as canelas. Arrasta pé.
Peatonal, zona pedonal.
Ir a pé. Andejar. Peregrinar.
Calçadões e Ruas do Centro deixam ir e vir. Possibilitam. Facultam. Permitem. No afaino cotidiano, com pé lido.
RCF, 25/07/2023
texto e fotos.





























