quinta-feira, 30 de abril de 2026 – 05h56

Embolada do original

Foto: Roberto Farias
Esquina do Império com a República

O núcleo da cidade costuma, por assim dizer, ser o Centro. O abairramento central. O local onde origina e concentra o maior número de atividades (possíveis), espaço aglutinador e convergente. Em outras palavras, o coração pulsante e no dizer do poeta, bobo. Bola. Balão.

O marco zero onde se originou com o engenho bangüê. Massa! aí ó, é o espaço ocupado hoje pela praça Dom Pedro II e entorno do prédio da Assembléia Legislativa. Ali, no largo havia pelourinho. Sob o auspicio de São Gonçalo, havia rio, caminhos, habitantes, ladeiras, mangues, praia e laguna.

O fundeador trouxe condições para o transporte do açúcar.

Maceió!

A catedral com planta de Montigny trouxe a Mãe dos Prazeres. As lontras, capivaras, caititus, cutias, pacas, jacarés e mussuns fizeram-se cardápio. As ladeiras trouxeram os canhões, casa de pólvora e o patrulhamento de navios. O trem trouxe e levou o que a alfândega permitiu. As construções se remodelaram e passaram a ocupar alinhamento. Novas construções trouxeram famílias, atividades, fé, instituições, desempenhos profissionais, saraus.

O cinema trouxe a moda e os comportamentos. Os arrabaldes foram sendo espraiados e incorporados. Os miasmas proliferavam e com eles os aterros.

Foto: Roberto Farias
Cansanção de Sinimbu

A cozinha africana temperou, sacudiu, coloriu e nutriu. Pescados de todas as ordens assomaram as mesas e as preferências, de toda a sorte e com inebriantes aromas o álcool junto ao maracujá, a jabuticaba, ao caju, ao cajá, a mangaba, jaca deixou marca nas festividades. Assim como o açúcar. Uma sociedade de cana caiana e algodão.

Tambores a embalar as noites. Aqui poderia ter sido a capital de Aquatune e das Carapinhas. Foi na forja do cotidiano dos secos & molhados, da venda a granel, da junção da vela, das parelhas de animais, da roda e da máquina a vapor que as mercadorias circulavam. Os caixeiros em viagens. Pelos ares também nos chegou o “aero postale” cujo hidroavião amerrissava na enorme lagoa Mundaú. Sim é factível que Antoine de Saint Exupéry tenha pernoitado aqui no nosso Centro, antes de seguir para Marrocos.

A praia da Avenida também encheu os olhos do urbanista maior de Brasília, que resumiu: – paisagem de aquarela! – Lúcio Costa se encantou.

No Centro: Zé Lins, Graciliano, Raquel entre outros davam as cartas no Café Ponto Central.

O Centro é uma colcha de patchwork laboriosamente urdido pelo tempo.

O skyline recortado por sobrados e torres sineiras, salteado de árvores, também veio a receber seus edifícios.

O coração do Centro de Maceió pulsa em pleno século XXI. A grande Maceió. A nossa capital metropolitana, a nossa Maceyork e suas liberdades.

R.C.F.

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