quinta-feira, 30 de abril de 2026 – 09h30

PATRIMÔNIO CULTURAL

*O conhecimento, registro, observação e análise de considerável exemplo de mensuração de elementos e construções espalhados por vários sítios e localidades das Alagoas, convence-nos de quanto o legado artístico e arquitetônico herdado de antepassados, sínteses de ações, sentimentos e eras vividas outrora, são testemunhos de suma importância para informação e formação das gerações mais recentes e sobretudo das gerações vindouras.

A função social do patrimônio cultural é inconteste; as cidades e suas particularidades, a arquitetura com suas edificações, a pintura, a música, a escultura, a literatura, o teatro, o artesanato e também o design são legítimas e originais expressões de ideais coletivos. Inegável.

A necessária atitude de preservar esse legado tomou em nossos dias caráter emergencial: é preciso conscientização de todos nós, pois essa causa é para o país tão vital quanto as nossas labutas: pelo meio ambiente; pela prática democrática; preservação de fauna e flora autóctone; destinação efetiva e correta de resíduos e de lixo; os direitos humanos; adensamento populacional; poluição; saneamento; e questões de cidadania tão em voga nesse fim de milênio.

No caso específico do elemento arquitetônico, do objeto da arquitetura, sempre será o uso que o conservará, ou seja, a sua utilidade será o fator condicionante principal para sua manutenção, proteção, conservação e essencialmente, sua permanência no espaço e no tempo. É preciso olhar o patrimônio como objeto de referência, síntese da era, implantado na cidade que evolui respeitosamente, integrado a esta e não como mero fato isolado. Os prédios históricos são jóias, sempre uma alegria para os olhos e impacto aos sentidos do transeunte sensível e atento; guardam aura fruto de sua longevidade. O ser humano tem fixação por suas origens e busca em eventuais viagens, visitar os centros históricos, museus, bibliotecas. Não somos só sol e mar. Somos história! O que nos leva a crer que o patrimônio arquitetônico, quando bem cuidado, é potencialmente suporte ao turismo bem conduzido. Deve a proteção do patrimônio ambiental urbano estar diretamente alicerçada nas ações conjuntas e participativas de políticas públicas, entre as iniciativas privadas e o governo (nas três instâncias: federal, estadual e municipal) e principalmente, a comunidade consciente e engajada.

Saindo do plano e adentrando nas ações, a obrigação não depende apenas dos arquitetos ou de intenções boas e isoladas, mas de sociólogos, antropólogos, historiadores, engenheiros, educadores, médicos, biólogos, juristas e cidadãos em geral, para que a reunião complexa e completa de campos específicos do conhecimento humano, com entrosamento perfeito, possa angariar excelentes resultados.

A herança cultural de um povo ou nação, jamais suportará ser esmagada pelo pseudo desenvolvimento ou pela moda ditada por poucos. E, se o for, ocorrerá um gradual e seguro processo de desarmonia e desagregação. A falta de memória obscurece a realidade de um povo, moldando-o a padrões que não lhe são originais e pertinentes gerando crises de identidade e provocando esfacelamento e aniquilamento dos indivíduos por não se reconhecerem fortes e capazes.

Aspectos comportamentais são imprescindíveis para a conservação e perpetuação da vida social junto a manutenção do patrimônio arquitetônico cultural. Desta maneira subsistirá a integração da vida contemporânea com a preservação da memória coletiva.

Maceió das Alagoas,
terça feira, 16 de janeiro de 2024

Fotos: RCF
Texto: RCF
Publicado no JORNAL DOS ARQUITETOS- IAB/AL ANO II N°03 setembro 1999 página 07

Publicado no livro ABRIGO DO OFÍCIO, 1ª edição, Maceió 2017 páginas 11, 12, 13 e 14.
Edição do Autor, 150 p.

Dedicado ao sobrinho Pedro Henrique Rocha Farias, na data de aniversário. Saúde, bênçãos e Graças.

Respostas de 4

  1. Com todos os seus projetos ultra modernos, os grandes centros, não deixam jamais no esquecimento suas origens, além de influências externas, que na verdade, enchem os corações e as mentes de alegria e certeza de que a evolução arquitetônica, necessita dessa inspiração. Podemos exemplificar as ruínas de Machu Picchu, Torre Eiffel, Cidade do Porto, Muralha da China e tantos outros monumentos, que enriquecem os cofres de tais países com sua arquitetura longeva… nesses ambientes nossa alma se recarrega de toda energia vital e reconhecemos que o futuro nunca será tão significativo quanto o passado.

    1. Como sempre, Eduardo, trazendo sua colaboração na essência do pensamento bem afirmado na escrita.
      Cada lugar impregnado pela identidade nos fala! Sem dúvidas, as pessoas que existiram e fizeram algo que resiste ao tempo, tem no seu lastro de vida essa conquista. As vezes incógnitas. Aqueles que sabem preservar, mais ainda.
      Obrigado, Eduardo Rocha!

    1. Obrigado pela presença e o educado chamamento! Lula Nogueira, amigo combativo e pintor de tantas memórias das Alagoas grafadas em suas belíssimas telas. Abraço fraterno.

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