Em maio do corrente ano iniciamos a coluna urbaNAUTA, novo desafio a vista e uma maneira ativa de dialogar com o número sempre crescente de leitores do NOTÍCIAS DO CENTRO cujo ampliado alcance nos faz ter compromisso para buscar a observação in loco na diária necessidade de perceber as espacialidades e praticado a ação de ir ao Centro, em outras afirmativas dessa coluna, em escritas anteriores explanamos a real necessidade de flanar como diz Walter Benjamin. A nossa designação é o “perambular deambulante”. A observação em passeio é necessária ao entendimento e apreensão espacial: “explorar e elucidar espaços, missão do arquiteto” (RCF, Abrigo do Ofício, 2017),em outras palavras, dominar o território pela percepção do deslocamento.

Já em ótima prática, variadas cidades têm reunido significativa gama de pensadores no intuito puro e simples de chamar a atenção da população e dos passantes com custo extremamente baixo para a interseção e confluência dos saberes de forma a contemplar as atividades multidisciplinares que possam estar presentes nas multidões de pessoas, nos fluxos do ir e vir, sempre com caraterísticas didáticas, acolhedoras e bem humoradas buscando com isso tornar prazeroso o tempo de permanência do transeunte nos locais onde o apelo para compras se efetiva.

A este conjunto aberto de ações inventivas na cidade se credita o termo “Urbanismo Tático” explico: ideias simples colocadas no passeio causando surpresa e alavancando interação.
Observar e absorver. Despertando a participação individual e coletiva para que, nada passe despercebido ou incólume ao público, de todas as idades, credos, tamanhos e distintos objetivos.

Fica fácil imaginar, estimado leitor, a colocação de equipamentos ou mesmo objetos cuja função seja aguçar a curiosidade através da sua participação/envolvimento.
Vislumbre para todos os usufrutuários sugerimos como exemplos; a colocação de equipamentos que lancem bolinhas de sabão que encherão a atmosfera de perfumes nas ruas e na mesma velocidade com que são lançadas se dissipam trazendo minúsculos arcos irisdecentes; ou a projeção de imagens ligadas a memória do lugar sobre fachadas das edificações nas proximidades do crepúsculo; artistas de rua estáticos ou em movimento; encenações itinerantes e muito rápidas; objetos grandes e difíceis de mover que se alternam a cada dia mudando o lugar em que “estacionam” (uma cabine telefônica inglesa ou um canhão que lança flores para o ar);
Urbanismo Tático!

Essências subjetivas no ar induzindo o despertar dos sentidos; poesias colocadas nos mais inesperados lugares; obras de arte, idem; repicar de sinos; um desfile de carrinhos de bebês e suas cuidadoras como chamada para a acessibilidade (onde o carrinho passar a cadeira de rodas também irá); guardas chuvas em grandíssimo número suportados por cabos de aço de fachada a fachada causando sombra numa rua inteira escolhida a dedo;
Táticas Urbanas de promoção de bem estar, também ouso pensar e, dividir com o leitor atento, que o resgate da fonte sonora luminosa da Praça dos Martírios, do reposicionamento da obra ” Jangadeiros Alagoanos” na praia da Avenida da Paz; a efetivação de uma estrutura que recomponha o Guarda Vidas (absurdamente demolido) na mesma praia; elevadores e cremalheiras que liguem o plano do Centro aos Mirantes do Farol; adequação dos Sebos do Paredão (abordado na coluna urbaNAUTA anterior).

Outros modelos de “Urbanismo Tático” são os usos do Centro em dias e horários fora do modelo comercial adotado: passeios de bicicleta noturnos; turmas de desenhistas a realizar “sketches”; visitas arquitetônicas guiadas; replantio de mudas adultas; tudo isso, claro fique, com tranquilidade e suporte da segurança. A integração de modais de transporte, bem como o rodízios e as caronas podem ser prática adotada como modelo de “Gentileza Urbana” e claro, tática urbana para ajudar na diminuição de tráfego. A oferta de moradias para que os moradores se apropriem desses espaços desta maneira promovendo a guarda cuidadosa do Centro, naturalmente vigilante do que preza, a oferta de cursos profissionalizantes e faculdades na área central trará a melhor apropriação deste espaço onde hoje há oferta de água, saneamento e eletricidade. Posto que em Arquitetura e Urbanismo, é o uso apropriado que gera conservação.

Mais ações nos vazios urbanos detectados com enorme potencialidade como glebas inteiras de imóveis fechados na Rua Buarque de Macedo, na Rua Barão de Alagoas, na Rua do Comércio, na Praça dos Martírios, na Rua da Praia, entre tantos outros com novíssimos projetos e obras consistentes para abrigar novos comércios, instituições, serviços e adequados estacionamentos verticais e subterrâneos, conjugados as estações da linha férrea.

Contudo, estamos a perceber que há hoje e já existe modelos de “Urbanismo Tático” estabelecidos no Centro de Maceió, aonde? Poderemos urbanautas apontar: os calçadões exclusivos para pedestres; os prédios “permeáveis” edificações estratégicas por onde se vai de uma rua a outra passando por dentro do edifício (edifício Breda, edifício Delmiro Gouveia, MUPA, Galerias; Lojas; Agência Bancárias, Estacionamentos e outros) é a louvação da surpresa, da revelação e valioso corta caminho. Estão lá no Centro silenciosos e servidores. Prontos.
A Rua Augusta das Árvores é uma perfeição que merece ser replicada à exaustão em toda a área central.
Banheiros públicos sempre cuidados também farão e bem o desempenho do urbanismo tático se consolidar.
Táticas Urbanas Consorciadas como modelo de oferta de entretenimento grátis para compradores, urbanitas e visitantes.
A este assunto, leitores estimados e atentos, iremos voltar com frequência.
07 de agosto de 2023
RCF, textos e fotos.






























Respostas de 8
Mais uma vez viajei nas suas idéias e no tempo… fui moradora do centro desde meus 8 anos até vir pra cá, e tenho muitas memórias de me aventurar andando sozinha, pois ninguém podia saber que eu estava saindo pois estava sempre ‘de castigo’ 😂 e sim, me encantava andar por ali… Como seria maravilhoso uma revitalização do centro… Maceió não é só litoral! Vivamos o centro! Parabéns 🎉🍾🎈🎊 por mais um artigo que me transporta!
Aída, quem agradece muito, sou eu. A coluna urbaNAUTA intenciona fazer perceber o quão valioso é o tesouro que temos no Centro, tesouros ouso pensar. Com toda certeza a revitalização desta área ampliará sobretudo o alcance perpassando seus limites. Obrigado por rememorar e antever um futuro que só nos cabe.
Sempre com uma visão do coração nosso estimado Roberto Farias, visualiza o centro de nossa cidade com uma empatia admirável. Mesclando passado e presente, sugere alternativas que venham a contemplar a sociedade alagoana. Rua das Árvores… quem dera existissem mais… lugar de pura beleza e magia… ainda que vivendo voltados para o futuro, nosso sentimento é nostálgico… parabéns Roberto 👏
Caríssimo Eduardo Rocha, agradeço a atenciosa referência. É o Centro uma verdadeira jóia para nossa capital. Vosso experimentado olhar como fotógrafo revela muito do entendimento que você estende. Abraço forte.
⁸fui ontem na levada e vir o quanto maceió é massa.Lá consegui ver urubu voando com uma asa só ,pois o mesmo estava com a outra asa tapando o nariz de tanto fedor e imundice aos arredores do mercado da produção .kkkkkk
Marcio, seu comentário é muito pertinente. Quer ver problema maior nessa área citada? Só chover!
O Mercado está muito defasado em relação as normas sanitárias e face ao crescimento desordenado.
Aquele trecho tem inclusive expandido feirantes para o próprio Centro.
O Mercado Púbico deverá ser, ao meu modo de perceber, reestruturado de modo a oferecer condições de trabalho mais dignas; e por consequência atrair o turismo tão falando e que fica apenas no sol & mar. Agradeço a possibilidade que seu sincero comentário me ofereceu. Vamos trabalhar para melhorar.
Por mais pensadores assim, interessados no Centro da nossa Maceió. Onde a história renasce e infelizmente, morre também a cada dia.
Parabéns, Roberto!
Obrigado, Paula. União e Força.