Neste ensaio, caríssimos leitores mais que estimados, intencionaremos abarcar alguns percursos nas searas necessárias de temas como acessibilidade e mobilidade urbana no sentido da promoção destas.*
Vamos imaginar o seguinte passeio: chegaremos ao Centro de Maceió pelo oceano Atlântico, nossa nau urbaNAUTA se fez ao mar, do mesmo modelo que nesse território se chegaram as levas de dominantes conquistadores que de tudo se apossaram, desde o chão até às consciências.
De modo que hoje o Centro, paisagem conhecida e acolhedora, está sob o enfoque pouco usual do exercício imaginado e ao longe vemos, à medida que nos aproximamos o skyline recortado ao céu de suas atuais construções. A cada avanço distinguimos a distância a silhueta que o cenário nos oferece.

Sem que o tempo nos pare com alguns passageiros devaneios ou vislumbres do passado,
mas, antes e sobretudo nos perpasse na busca da compreensão;
Vejamos o antes, o agora e o só depois.
O traçado urbano da cidade é relação direta com a geografia de seu corpo físico e com a topografia de seu relevo, com as práticas ancestrais de suas gentes, com a evolução de seus atores na faina cotidiana,
com sua água, com seus ventos, sob o sol tropical, com suas defesas, com seus alimentos.
As relações de trocas e comerciais.
Os fluxos e o ficar.
Dessa arte, entender o sediar-se. Expandir-se. Saturar-se. Declinar-se. Reinventar-se.


Já em terra, seguimos o roteiro na intensa intenção de apreender essa espacialidade configurada e suas complexidades particulares: a sucessão de planos e níveis de suas cotas: planície costeira-lagunar, plano intermediário, encostas do Farol e o planalto da Jacutinga. O Centro tem peculiar recorte; se espreme e se exprime formalmente entre o mar e a Laguna, contido pelo abraço circular da linha ferroviária e o talude das franjas das encostas do Farol que serpenteia da Cambona até o Rio Maceió (atualmente Reginaldo Salgadinho) esculpida por ladeiras retas e íngremes denominadas: Martírios; Brito; Boa Vista e Catedral. Sinuosa é a ladeira Dr. Geraldo Melo. O que nos falta para termos elevadores no modelo do conhecido elevador Lacerda (por estas plagas deverão ser panorâmicos, para apreciação e deleite da mirada), ou ainda o plano inclinado Gonçalves (sob trilhos), ambos equipamentos de transportes públicos na cidade de Salvador?
Um luxo de mobiliário urbano propício e condizente com quem possui níveis altos e baixos e se interessa em ligá-los. Tão simples assim: o veículo sobre rodas deixa e vem buscar depois o passageiro na parte alta, Farol, este servindo-se do elevador vai ao Centro, resolve e volta. Com o descortinar de exuberante paisagem acolhedora laguna – mar. Será que o turista vai gostar? Claríssimo que sim. E o cidadão residente? Mais ainda!

Seguimos andando pelo Centro e pensando em como a Laguna Mundaú é também uma plataforma propícia ao transporte público, outrora já o foi; com a Lancha do Horário, com os hidroaviões da “Aeropostale” vindos da Europa e mais antigamente ainda, com as barcaças do açúcar dos engenhos e as enormes canoas (muito provavelmente feitas de um pau só; de uma imensa árvore, seria uma centenária Sumaúma?) que transportavam tijolos e telhas singrando as águas das cerâmicas de municípios vizinhos até o Canal da Levada, além de toda sorte de produtos agropastoris cuja intensa atividade de intercâmbio comercial favoreceu sobretudo a implantação do Mercado Público Municipal. Cujas derivações de feirantes livres alcançam em demasia o comércio do Centro atualmente, ocupando o passeio calçado e leitos de vias. Nos faltando o devido asseio e um bom número de banheiros públicos.

Sobre os possíveis modelos de integração de modais de transportes públicos, ainda estamos insistindo no retrógrado modelo de motores a combustão de combustíveis fósseis sabidamente nocivos a saúde coletiva e ao meio circundante seja o depósito constante de fuligem em nossas arquiteturas, seja a saturação de gás em nossos pulmões e na natureza de forma mais ampla. Enquanto não entramos na era de carros, motos, trens, ônibus e outros movidos por sol, vento, eletricidade ou ainda novas forças motrizes a descobrir, teremos de lidar com o caos que criamos e mantemos. De que maneira?
De muitas e conhecidas e praticadas pelo mundo, a fora, o mundo gira, a cidade roda. Eliminar, mesmo que temporariamente o volume de autos nas ruas será sempre um bom princípio.
Redução de rotas, interligações de modais, estacionamentos subterrâneos ou edifícios garagens, horários de carga e descarga, desenhos mais humanizados para os mobiliários urbanos, mudança simples e gradativas capazes de auferir significativos resultados no curto, médio e longo prazo podem evitar armadilhas e prevenir surpresas, além é claro de suprimir receitas copiadas e inócuas. A cada investimento em planejamento, décadas de beneficiamento.

E os passeios, calçadões e afins? Que conduzem a surpresas e obstáculos, podemos aguçar o olhar para prevenção ao invés da remediação. Acessibilidade universal para a cidade é a radiografia mais precisa do trato aos seus usufrutuários e transeuntes, razão maior da existência. Sendo a vida regida pela mudança que se favoreça sempre o mudar para melhor. Melhor acolher, melhor servir, melhor amparar, melhor promover, melhor prover, melhorar sempre e de novo. Todos os deslocamentos se dão com objetivos, pontos de partida e chegada, com direito a pausa para apreciação, encontro, alegrias e café.

Urbanitas, urbanistas e urbaNAUTAS aonde estamos indo neste percurso onde só faltou o dirigível Zeppelin? Sobrevoar a cidade do futuro! Esse vindouro e intangível, mas por isso mesmo, campo fértil para a prática da antevisão, da antecipação de propostas com o propósito de ampliar ofertas e valores conduzindo pari passu Cidade e Cidadão em profícua simbiose perfeita para a melhor atmosfera solidária. O Centro é o campo e a bola da vez para significativas participações na ampliação da economia e qualidades de vidas, devida e atrasada já, conclamemos aos gestores públicos e privados, aos atores de todos os nichos, vertentes e nuances. A verdadeira união é sinônimo da carga imparável da força coletiva. Que consigamos almejar os mais nobres objetivos ao banir toda e qualquer mazela.

Maceió das Alagoas, terça feira, 5 de setembro de 2023
RCF. Texto e fotos
urbaNAUTA






























Respostas de 8
Excelentes perspectivas, Robertinho, ameeeiiii!!!
P a r a b é n s!!!
Deus tomara… Deus tomara… Deus tomara!!!
🙌🙏🙌👍🥰😃👏👏👏👏👏
Obrigado, Jeanne!! Com as graças de Deus!
Sua escrita me faz viajar nas suas ideias… Maceió seria bem mais harmonizado e as pessoas iriam sente prazer em passear pelo centro.
Na atual conjuntura a vida só precisa ser linda e feliz nas fotos das redes sociais … temos que aumentar o ângulo de visão e pensar na população!
Parabéns por mais uma matéria bem escrita e com riqueza de detalhes que me leva a uma Maceió mais agradável!
Aída, muito agradeço a sua presença e opiniões neste espaço comentadas com seu olhar pleno de serena experiência. Fico encantado com a possibilidade de oferecer as possibilidades, pois estão ao alcance de todos e de cada um. Tenho reunido o estímulo de ler vossos pensamentos em vossa coluna “Poeta Visual” aqui neste mesmo Notícias do Centro e procurado dar a contribuição no sentido de que o Centro é um celeiro de vida e negócios capazes de fazer a área ganhar as devidas atenções. Obrigado e parabéns!!!
O colunista nos mostra de maneira clara, sua afinidade e conhecimento, diria que, regado por todo um misto de amor e sabedoria, nos levando a reflexões mais profundas sobre um futuro melhor para o centro de nossa cidade. Te dou parabéns por uma visão privilegiada e humana, de toda uma situação caótica que se instala cada vez com maior intensidade nos “centros” por aí afora. Que um dia possamos ver tal ambiente adaptado ao seu vislumbre tão afetuoso… que os fluxos continuem naturalmente e os ficarem sejam mais constantes no dia a dia da população… noites ilumidas com uma linda lua cheia e lugares prazerosos de se frequentar… dias cheios de calor e com sua característica peculiar… o Centro… belo texto…👏👏👏
Eduardo, quero começar agradecendo o modo como sua escrita tem captado nossas melhores intenções e invectivas.
Você, assim como muitas pessoas entendem quais valores devem ser as prioridades e de que modo favorecerão a cidade e sobretudo a área central tão plena de história e de vida. Abraço fraterno.
Na cabeça de JGlacê a melhor forma de inserção social para as pessoas com deficiência é a roda gigante. Kkkkkkkkkk
Marcio, acho legítimo pensar que os elevadores serão de mais necessidade que a roda gigante, bem como deixar de saturar a orla e passar a investir em outras localidades. Obrigado! Penso que o plano de mobilidade urbano é vital nesse momento.