A Academia Alagoana de Letras (AAL) iniciou a sua participação na 10ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas 2023 com a fina flor da literatura nacional. Os imortais da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, Antônio Torres e Cacá Diegues – patrono da festa -, compuseram a mesa-redonda em homenagem a Jorge de Lima, com o tema “Jorge de Lima para Sempre”, na manhã deste sábado (12).
Por intermédio do presidente da Casa maior das Letras alagoanas, Rostand Lanverly, que mediou o debate, a convite da instituição realizadora do evento, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), os acadêmicos da ABL expuseram suas apreciações acerca do ‘“príncipe dos poetas”, autor do grandioso Invenção de Orfeu, em mais de uma hora de explanação em que foram discutidas sua biografia, composição e obra, e o seu papel na literatura mundial e de língua portuguesa.

O romancista Antônio Torres, ocupante da Cadeira nº 23, abriu o debate com o verso “lavo as palavras como lavo as mãos”, do poeta homenageado. Ele traçou a biografia do escritor, pontuou o valor de sua obra, a produção precoce – com início aos sete anos de idade -, o olhar fotográfico e cinematográfico que o autor imprimiu às suas descrições e a posição de Jorge de Lima no contexto literário brasileiro por ocasião da publicação do romance Calunga.
Já o cineasta alagoano Cacá Diegues, patrono da Bienal, ocupante da Cadeira nº 7, expressou a dificuldade em avaliar a obra de Jorge de Lima. “Acho que Jorge de Lima mudou a literatura de Língua Portuguesa. Ao mesmo tempo que você fica absolutamente surpreso com o que ele diz, com o que está escrito, com a poesia que ele sabe fazer, você também se depara com uma personalidade que nem sempre é aquela que você espera. Jorge de Lima é capaz de versos extraordinários e de versos de uma tolice extraordinária. Eu sou do time que acha que Jorge de Lima é um extraordinário poeta, que mudou a história da poesia de Língua Portuguesa e mudou a história da poesia do Brasil, sobretudo”, avaliou Cacá Diegues.

Ocupante da Cadeira nº 15, o poeta Marco Lucchesi, por sua vez, tratou a universalidade do escritor. “Jorge de Lima tinha a capacidade, o multiforme engenho de ter todas as línguas de expressão. Jorge de Lima é a emergência da poesia em si e para si. É um termo hegeliano muito forte, mas que, despojado dessa perspectiva histórica, significa o encontro absoluto da poesia sem qualquer negociação. Isso deu a Jorge de Lima aquilo que os grandes poetas de língua portuguesa realizaram, o conhecimento de todas as métricas. O conhecimento da poesia e da tradição literária galego-luso-brasileira. Jorge de Lima de fato olhou e trouxe, para a Invenção de Orfeu, a convocação de uma literatura universal”, explicou, entre outras colocações.
Aberto à participação do público, composto por profissionais de diferentes áreas, o debate trouxe um panorama dos trabalhos de Jorge de Lima e da importância de sua obra singular e universal. As atividades da Academia Alagoana de Letras seguem ao longo de toda a 10ª Bienal, que teve início na sexta-feira (11) e permanece até domingo (20).





























