Foi publicado na segunda-feira (14), pelos cineastas Josias Teófilo e Newton Cannito, o “Manifesto pela Liberdade de Criação Artística”. O texto se opõe ao recrudescimento da ideologia woke na cultura brasileira.
O documento, que seria “anti-woke”, mas não “direitista”, condena o “autoritarismo” das ideias do movimento, que se expressaria “na censura, nos cancelamentos, perseguição a artistas e intelectuais que não pensam de acordo com a cartilha vigente, o identitarismo woke”.
Com o documento em mãos, os cineastas pretendem recolher assinaturas de nomes importantes do cenário audiovisual brasileiro e levar a prefeituras e órgãos públicos, que fomentam a cultura no país, os argumentos defendidos por eles. A petição pública, destinada a secretários de cultura municipais e estaduais, já pode ser assinada.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Josias Teófilo deixou claro que o documento é apartidário. “O Newton Cannito, inclusive, é de esquerda, foi secretário do Audiovisual no [segundo] governo Lula. Não foi ele que mudou. O que aconteceu é que o identitarismo recrudesceu a tal ponto que hoje em dia só se pode usar esse recorte de raça, sexualidade”, destacou o cineasta.
O manifesto questiona os conceitos de apropriação cultural e linguagem neutra, que “orientam os debates e o fomento da arte brasileira há mais de uma década”. Apontam ainda para o preconceito religioso, sobretudo em relação ao cristianismo.
“A ideia de inclusão, em si, é boa. Deve haver espaço para todo tipo de gente. Mas, na prática, a diversidade se transformou em um ambiente em que todos pensam igual e censuram quem pensa diferente”, afirmou Teófilo.
Entre os signatários, já estão presentes Marcílio Moraes, um dos autores de Roque Santeiro, Paulo Cursino, autor de Farofeiros e roteirista, Paula Richard, autora de novelas bíblicas na Record, Fabio Danesi, autor de séries como Rio Heroes.
Além de Rodrigo Castilho, autor de O Negócio, Matheus Bazzo, fundador da plataforma de streaming Lumine, o roteirista Alexandre Soares Silva e Ricardo Fadel Rihan, produtor de filmes como Plano Real e Rodeio Rock e ex-secretário do Audiovisual.
Leia abaixo o manifesto na íntegra:
“Manifesto pela Liberdade de Criação Artística
Enquanto nos Estados Unidos e no resto do mundo a ideologia woke está em decadência, no Brasil ela reina soberana. Como dizia o Millôr Fernandes: “Quando uma ideologia fica bem velhinha, vem morar no Brasil”.
Temos visto no nosso país uma escalada do autoritarismo, que se expressa na censura, nos cancelamentos, perseguição a artistas e intelectuais que não pensam de acordo com a cartilha vigente, o identitarismo woke.
Politicamente correto, cancelamentos, lacração, ataques à liberdade de expressão, tudo isso faz parte do radicalismo próprio ao identitarismo.
Ministério da Cultura, Ancine, editais estaduais e municipais, lei Paulo Gustavo, etc, todos usam abertamente critérios da ideologia woke.
Conceitos importados como apropriação cultural e linguagem neutra orientam os debates e o fomento da arte brasileira há mais de uma década. Como diz Antonio Risério, até a língua portuguesa foi instrumentalizada por essa ideologia.
Além disso, existe o preconceito contra pessoas religiosas em geral, e especificamente contra os cristãos. É praticamente impossível aprovar um filme cristão num edital audiovisual, por exemplo.
Uma das principais vítimas da censura é o humor, tem sido cada vez mais difícil fazer uma comédia popular. Humoristas são cancelados diariamente sob aplausos da base woke.
Tem sido comum também fazer tábua rasa do passado, em vez de ser tratado com a devida complexidade, existe um ódio muito grande ao passado e aos personagens que fizeram o nosso país e a cultura brasileira.
A arte brasileira está sob censura. O que hoje chega ao resto da sociedade, essa chatice de lacração e de linguagem neutra, já domina a arte brasileira há mais de uma década. Isso afastou a arte e a cultura brasileira do seu público.
Nunca o cinema, a televisão e o teatro brasileiro estiveram tão afastados do gosto popular. Por um motivo simples: as obras seguem fielmente uma estética importada. Nós artistas livres lutamos pela diversidade estética e pela liberdade de expressão e de criação.”





























