A Orquestra Filarmônica de Alagoas brindou o público alagoano com mais um espetáculo de arte e cultura. Para saudar a estação das flores, o Concerto “Primavera” trouxe um repertório erudito-popular, dedicado à relação entre música e natureza. Com um formato instrutivo e interativo, o espetáculo foi apresentado ao público, no Teatro Deodoro, nessa sexta-feira (1º), numa sequência de explanações didáticas, que trouxe a noção das obras, dos compositores e da formação dos naipes da orquestra, isto é, dos grupos de instrumento.
Num diálogo direto com o público, o maestro Luiz Martins falou sobre o repertório. “Nessa primeira parte de formação de câmara, nós teremos quatro peças. Duas obras em que serão executadas somente os sopros. Eu volto para reger a terceira obra. Eles vão começar com uma obra de Handel e uma suíte. Essas suítes são obras barrocas; elas têm uma sonoridade muito específica. Vocês vão perceber que nós vamos fazer com todos os metais e a percussão. Na sequência, nós teremos a Primavera, de Vivaldi”.

Para falar da obra do grande compositor italiano, il Prete Rosso, ou o sacerdote de cabelos ruivos, o maestro pondera que “a Primavera, de Vivaldi, é uma obra monumental. É um conjunto de doze obras, em que quatro delas são representativas das estações do ano. Vivaldi iniciou o que nós chamamos de música programática, aquela que faz a ligação entre música e natureza. Por exemplo, quando ele quer representar os pássaros, ele coloca instrumentos agudos”, disse ele.
Numa homenagem complementar à estação das flores, o maestro leu parte do poema do primeiro movimento de Primavera, escrito por Vivaldi. “A primavera chegou. Os pássaros celebram a sua chegada com canções festivas, e riachos murmurantes são docemente afagados pela brisa. Relâmpagos, esses que anunciam a primavera, rugem, projetando seu negro manto no céu, para depois fazerem silêncio. E os pássaros, mais uma vez, retornam às suas encantadoras canções”, recitou.

Luiz Martins tratou, ainda, da importância da Filarmônica em descobrir novos talentos, como o flautista e regente Patrício Laranja, que apresentou o tema Gabriel’s Oboe, de Morricone, com o solo de André Tokura. Na sequência de músicas, em que a orquestra foi se formando lentamente, até chegar à plenitude da estação, o maestro apresentou, de forma didática, os naipes da filarmônica, com execução de cada instrumento representativo.
“A orquestra é setorizada. Nós temos os primeiros violinos e os segundos violinos, que são os mesmos instrumentos, mas que tocam partes diferentes durante a música. Nós temos as violas, que têm formatos diferentes. Todos estes instrumentos, que estão aqui na frente, fazem parte da família das cordas. Aqui, nós temos o violoncelo. Percebam que tem uma haste ali embaixo, é o espigão do violoncelo. Ali, mais atrás, num formato de violino, mas de proporção bem maior, o contrabaixo acústico. Nós temos também o instrumento de cordas, a harpa.”

Ao continuar os naipes, apresentou a família das madeiras. “Ela não é necessariamente composta por instrumentos de madeira. Temos a flauta transversal, o oboé e o clarinete. Geralmente, estes instrumentos são em pares. Temos um dos instrumentos mais fantásticos dentro de uma orquestra, o fagote”. E continuou com a família dos metais. “Ali atrás tem a família dos metais. A trompa e, ali, os trompetes, tocados em duo. Do outro lado, nós temos os trombones. Lá atrás, temos a nossa percussão sinfônica, com os tímpanos e o glockenspiel”.
Luiz Martins explicou que a orquestra é formada por muitos outros instrumentos, que se harmonizam, dialogam e se complementam. “Todos precisam tocar conjuntamente. É uma excelente atividade conseguir compreender o som do outro. A orquestra toca em conjunto. Um ótimo exercício para a sociedade”. E, concluiu a apresentação, ao convidar o público para reger os músicos instrumentistas. Cinco pessoas compareceram e experimentaram o gosto de ser maestros, por alguns minutos, da Orquestra Filarmônica de Alagoas.






























