terça-feira, 9 de dezembro de 2025 – 07h15

Falando de Arte

Falar de arte faz parte também de minha pessoa!

Queridos leitores,

E vamos mais uma vez viajar no meu mundo, contando meus ‘causos’, falando da minha vida e da vida alheia, mas sempre numa boa conotação, do que faço e tudo mais, e falar de arte faz parte também de minha pessoa!

Foto: Aída B. Britto
A Catedral de St. Paul fotografada do meio da rua

No verão tem sempre muita coisa acontecendo por Londres e o verão do ano passado foi muito legal, pois foi ensolarado e seco, ou seja, sem chuvas o que faz uma diferença incrível. Esse ano ja fiz uns passeios mas o verão em si está chuvoso, mas não reclamo, pois com chuva ou sem chuva ainda tem muita coisa pra se fazer por aqui.

Foto: Aída B. Britto
Eu sentada de costas pro rio no pátio fora da Tate Modern

Durante a pandemia eu fiz uma ‘aventura’ que foi chegar o mais perto do centro com o carro e de lá  sair andando e fotografando a cidade quase que vazia, foi muito legal. Colocava a câmera no chão no meio da rua pra conseguir ângulos que nunca conseguiria com a vida ’normal’, e foi aí, nesse dia que me toquei que fazia tempo que eu não admirava de verdade essa cidade que tanto amo. Quando aqui cheguei eu ficava deslumbrada todos os dias, depois o cenário vai ficando o normal e eu esquecia ou não prestava atenção e é assim que a gente começa a não mais ver os detalhes. A maquiadora em mim gosta de ver beleza nas pessoas e a fotógrafa em mim gosta de ver beleza nos arredores e foi assim que voltei a me deslumbrar com Londres e todos os lugares que visito uma vez ou dez vezes, sempre tem algo que a gente perde e acha numa outra vez. Não me canso de olhar fotos de minha cidade natal e ficar de queixo caído com tamanha beleza natural! Mesmo que eu tenha nascido lá, sempre que vou acho um detalhe novo pra admirar, ou simplesmente me deslumbrar com a beleza que é o normal. Qual foi a última vez que você parou ali na Avenida da Paz e admirou aquela enseada maravilhosa? É o centro e ninguém nota sua beleza, que pena!

Foto: Aída B. Britto
A Ponte do Milênio vazia, coisa difícil de se ver, ao fundo a redoma da Catedral de St. Paul

Aqui nesse país é sempre bom ir em lugares onde tem coisas ao ar livre e coisas cobertas, e ano passado o motivo de ir em coisas cobertas não era por causa da chuva e sim do sol que estava extremamente quente e mesmo uma nordestina como eu, não estava aguentando. Foi o verão mais quente que já vivi aqui! Então um dia procurando o que fazer em Londres achei uma exposição que já estava quase acabando, e eu resolvi ir pois achei muito interessante na internet e me daria a chance de passear num desses lugares deslumbrantes de Londres.

Foto: Aída B. Britto
Sala de jantar do ‘Obliteration Room’!

A exposição na Tate Modern (uma antiga  usina de energia elétrica a carvão que foi transformada numa galeria de arte moderna na beira do rio Tâmisa e que do outro lado do rio tem a Catedral de St. Paul e que no ano 2000 o arquiteto Norman Foster projetou uma ponte de pedestres chamada Ponte do Milênio que liga a Cidade de Londres à margem sul do rio) era da Yayoi Kusama, uma artista contemporânea japonesa e se chamava “The Obliteration Room”, e era uma instalação de uma casa toda branca por dentro e cada visitante recebia uma cartela de adesivos redondos de vários tamanhos e cores pra grudar na casa, como fui no final, o branco já tinha sido obliterado da casa, achei a experiência leve e de uma vibração muito boa, acredito que estar rodeada de cores faz bem pra alma. Vocês vão ver como fiquei no vídeo rsrs. Meses depois ela, a artista, foi uma sensação em Paris no lançamento dela e uma marca de bolsa muito famosa e fizeram uma boneca dela pintando bolinhas coloridas na vitrine. Isso não só foi um marketing da bolsa mas foi também para lembrar a quem viveu os anos 60 ou trazê-la à atualidade, pois no final dos anos 60 ela abraçou a contracultura hippie e virou alvo da atenção do público organizando eventos no qual os participantes nus eram pintados com bolas coloridas. Essa artista tem 94 anos mas é muito descolada com cabelos coloridos! Realmente inspiradora!

Meus cabelos coloridos não são por causa dela, sempre quis ter cabelos coloridos e assumir o branco ficou mais fácil de brincar com as cores, porém não só isso mas seu histórico artístico tem muitas similaridades comigo, que uma inquietação me faz querer fazer tudo. Acho que é uma ansiedade de viver e explorar tudo que os olhos veem, que a alma sente e a boca quer falar. Sou escritora, sou poeta, sou fotógrafa, agora colunista, contando também com os meus anos ‘bailarina’ e poucos anos atrás resolvi desenvolver meu lado desenhista, que sempre soube que tinha, mas sempre tive muito medo de tentar e não conseguir. Talvez insegurança, dúvida e medo de não ter aceitação, é uma característica em todas as pessoas que lidam com a arte pois beleza está nos olhos de quem vê.

Foto: Aída B. Britto
Os dois únicos desenhos que não estão comigo!
Foto: Aída B. Britto
A porta me faz sentir bem vinda,
Através dela amplio meus horizontes,
Por ela a esperança nunca finda,
Ao abri-la construímos pontes.

Pontes de amor e amizade,
De alegrias e oportunidade,
Respiramos melhor com ela aberta,
E nossos sensos desperta.

Ao fechar a porta,
Eu a uso como defesa,
Pois o mal meu coração não suporta,
E ao abri-la quero absorver somente a beleza…

Do mundo!

Nada melhor que ter portas abertas,
Ao me receber desse jeito,
Há sempre uma nova descoberta,
E com o amor me deleito!

Aída 31/08/20

Hoje me considero também desenhista/pintora, mas é uma arte que não tenho formação acadêmica nenhuma, como tudo que faço, começo, aprendo sozinha depois vou me educar academicamente pra aprender técnicas diferentes e no momento ando a procurar uma escola de pintura pra fazer exatamente isso, pois olho já tenho, graças à fotografia que me ensinou a brincar com a luz e à maquiagem que me deu muita perspectiva! Desenhar/pintar me dá uma alegria profunda, não só pelo desafio mas também pois sei que minha arte está extrapolando o limite da língua, como a fotografia, porém muita gente acha que fotografar é só apontar o celular na direção desejada e eis a foto.

Foto: Aída B. Britto
Desenhos do começo, ainda engatinhando
Foto: Aída B. Britto
Flor do mandacaru e um um terço, onde usei cor pela primeira vez
Foto: Aída B. Britto
Um dos desenhos que mais gosto

Começar a desenhar foi uma decisão que tomei no meu aniversário de 52 anos quando estava me sentindo meio perdida, pois foi meu primeiro aniversário sem minha mãe, não sentia que comemorar era o que queria. Então entrei, meio que por acaso numa loja de arte e comprei bem barato um caderno de desenho e uns lápis, um mini kit de desenho. Esse foi meu presente de aniversário pra mim mesma. Cheguei em casa toda feliz e quando mais tarde Núbia me ligou eu disse pra ela que agora iria me ensinar a desenhar, ela riu, mas eu estava determinada. Assisti um tutorial na internet pra saber como usar os lápis e meia hora depois comecei a treinar. Desde quando tomei a decisão e realmente me dediquei foram uns 3 anos. Desse pequeno caderno evolui e hoje já faço até pinturas com lápis aquarela, usando toda minha experiência em fotografia e maquiagem pra harmonizar cores e luz. Ainda não consigo desapegar desses meus trabalhos, como sempre os acho infantis o que na verdade são, pois diante das outras coisas que faço, desenhar não tem nem 10 anos ainda!

Foto: Aída B. Britto
Uma de minhas primeiras rosas e uma árvore que me perguntaram se eu desenhei pra tatuar
Foto: Aída B. Britto
Brincando mais com as cores

Mas como tudo que faço eu invisto o mais precioso dos sentimentos que tenho que é o amor, pois ele me enche de alegria e nos tempos de hoje, com essa vida conturbada e tanta maldade em toda esquina, lidar com arte, como espectadora ou como fazedora, é minha melhor forma de trazer amor pro meu mundo e pra quem admira a minha arte!

Foto: Aída B. Britto
Minha primeira aquarela, meu conversível que tenho saudade

Deixo vocês hoje com um pedido: comecem a olhar ao seu redor e se deslumbrar com a beleza do dia-a-dia e depois me contem como se sentiram!

Até a próxima!

Aída Britto

Foto: Aída B. Britto
Que os anjos nos abençoe,
Que os anjos olhem por mim,
Que vc reflita e perdoe,
Que o perdão seja o seu estopim…

Para explodir de alegria,
E que tudo vá além,
Daquilo que você queria
E que os anjos digam amém!

Aída 12/05/20

Respostas de 10

  1. Que legal Aida,observar…apreciar e degustar tudo…detalhes,profusão de cores…desenhar também traduz sua luz…sempre tons, …até breve!

  2. Sempre arrasando, lindas fotos, vídeos, poemas, lugares e tudo feito com muito carinho para encantar os seus leitores. Parabéns 👏🏼👏🏼

  3. Aída! Como gosto de tudo que você revela e como revela! Estou densamente encantado com a coluna de hoje: o roteiro, as belas imagens e desenhos e principalmente o conteúdo (recordei do final do inverno de 2010 quando fui com você até a Catedral de Saint Paul. Após, atravessamos o Rio Tâmisa, sobre a ponte de Sir Norman Foster e adentramos o Tate. Você lembra? La tinha uma enorme e magnífica cabeça feminina desenhada pelo muralista mexicano Diego Rivera). Você conseguiu reproduzir em mim o êxtase sentido nesse crepúsculo perdido no tempo. Como autodidata seus desenhos estão de vento em popa. O que posso dizer ainda? OBRIGADO E PARABÉNS! Está um passeio com gosto de sorvete e alegrias! Beijo grande

    1. Uau, o que dizer de sua crítica? Somente que o sorvete tem que ser de manga!
      Sim, lembro desse dia, essa área é uma das minhas preferidas de Londres! Grata Robertinho, por seu carinho! 😘

  4. A cada semana fico imaginando, o que Aída irá nos mostrar na sua coluna?
    Sem medo de errar virão poemas, vídeos de passeios e fotografias de pontos turísticos de Londres. Mas o que mais me encanta é a riqueza dos detalhes, que você consegue com muito talento transmitir. Parabéns.

    1. Meu querido amigo Albino,
      Fico feliz em saber que você espera minha coluna… grata 🙏🏼 pelo carinho , são críticas como a sua que me inspiram a continuar escrevendo ✍️!

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