quinta-feira, 30 de abril de 2026 – 08h43

Museóloga Cármen Lúcia Dantas abre Mês do Folclore na Academia Alagoana de Letras

Palestra ‘Théo Brandão no seu tempo-espaço’ festeja folclorista alagoano e atualiza seu legado histórico-cultural
Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Théo Brandão, maior nome do folclore alagoano, é homenageado na Casa Jorge de Lima Foto: Lula Castello Branco / Agência NC

Agosto, o Mês do Folclore, começou com chave de ouro em iniciativa da Academia Alagoana de Letras (ALL). A museóloga Cármen Lúcia Dantas proferiu a palestra “Théo Brandão no seu tempo-espaço” na manhã desta quarta-feira (2), na Casa de Jorge de Lima, atual sede da AAL. Ao mostrar a contemporaneidade do folclorista alagoano, ela prestou homenagem ao mestre da cultura popular e atualizou o seu legado histórico-cultural.

Com o auditório completamente lotado por um público atento e participativo, a museóloga ressaltou o prazer em tratar de Théo Brandão, destaque nacional na área do Folclore, em evento que também recorda a sua passagem pela Casa Jorge de Lima, instituição a qual ajudou a fundar. 

“É um momento de encontros e reencontros, até um momento de reencontro com o meu próprio passado, com as minhas saudades. Saudade de Théo Brandão, que foi meu mestre, foi ele quem me orientou. Todo o meu início na cultura popular foi através de Théo Brandão, guiada pela mão de Theo Brandão, ele abrindo os nossos caminhos. E, voltar aqui, na Casa Jorge de Lima, que eu instalei no passado enquanto museóloga, para falar sobre ele, é esse retorno. Então, é um momento em que a gente olha para o retrovisor e vê um passado realizado. Agradecendo por estar aqui, com disposição, para falar dessa figura tão importante da cultura alagoana, que eu tive a sorte de ter o convívio”, recordou Cármen Lúcia Dantas.

A palestra discorreu sobre a trajetória de Théo Brandão, seu papel fundamental na manutenção da cultura popular alagoana. Considerado a “Bíblia do Folclore Alagoano”, fonte primária de pesquisas, dissertações, teses e artigos, Théo Brandão, junto a Câmara Cascudo, é o grande nome do folclore brasileiro, responsável por abrir o caminho para a pesquisa etnográfica, reafirmando a atualidade do seu trabalho. “Eu optei por esse tema porque o tempo de Théo Brandão, que era outro, eu posso trazer para a contemporaneidade. Então, faço uma fala, mostrando a contemporaneidade dele apesar de outro espaço, apesar de outro tempo”, complementou a museóloga.

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Rostand Lanverly, presidente da Academia Alagoana de Letras, recebe Carmém Lúcia Dantas, para palestra sobre Théo Brandão, folclorista de grande destaque no cenário nacional Foto: Lula Castello Branco / Agência NC

O evento abre a programação da AAL no mês de agosto. O presidente da Casa, Rostand Lanverly, falou da satisfação em promover o encontro para tratar do “pai do folclore alagoano”. “Um dos objetivos da Academia Alagoana de Letras é levar a cultura ao povo alagoano. E o folclore é um dos mais belos meios de cultura. É uma miscigenação do indígena, com o africano e o português. Em nível nacional e local, são tantas histórias e lendas que encantam as pessoas. Além do mais, temos de pensar não só no folclore, mas no ‘pai do folclore alagoano’, que é o Théo Brandão. Então, unimos essas duas vertentes, com uma terceira vertente fantástica, que é a carinhosa e bondosa, Cármen Lúcia Dantas, hoje talvez a maior estudiosa a respeito do assunto”, explicou Rostand Lanverly.

Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Carlito Lima, membro da Academia Alagoana de Letras, dá o seu depoimento sobre o apreço de Théo Brandão às terras alagoanas Foto: Lula Castello Branco / Agência NC

O público, entusiasta da palestra, expressou suas considerações acerca de Théo Brandão. O escritor Carlito Lima, imortal da AAL, destacou o amor de Théo Brandão pela cidade de Maceió e narrou o episódio em que o pesquisador, quase chorando, procurou o seu pai, o general Mário Lima, para lamentar a queda do lendário coqueiro Gogó da Ema. Contou também que Théo Brandão estabeleceu o Sítio Jatiúca, lugar de origem do bairro Jatiúca, situado junto ao mar na parte baixa da cidade. A praia da região, anteriormente denominada “carrapato da Ponta Verde”, em referência a quantidade de mamona existente no local, passou a se chamar “Jatiúca”, nome de origem Tupi dado por Théo Brandão em homenagem aos índios Caetés.

Théo Brandão – mestre de figuras como Savio de Almeida, Tereza Braga e da própria Carmén Lúcia Dantas – era conhecido por sua generosidade intelectual, própria das grandes inteligências. Ele não se furtava em atender a quem o procurasse e em abrir a sua rica biblioteca, com total desprendimento e amor ao estudo acurado, sério e comprometido.

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