sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 00h37

Projeto italiano pretende transformar cemitérios em florestas sagradas

Árvore é plantada acima de cápsulas biodegradáveis com corpo em posição fetal
Foto: ReproduçãoInstagram/esgdobrasil

Os arquitetos italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel criaram uma cápsula biodegradável que tem como objetivo substituir os tradicionais caixões de madeira. Em vez de esquifes convencionais, o corpo é colocado em posição fetal na Capsula Mundi, como foi denominado o protótipo. Em seis semanas ela se desfaz e auxilia na decomposição do organismo, acelerando o processo de absorção dos nutrientes pelo solo. Acima da cápsula, é plantada uma árvore ou uma semente, aproveitando a matéria orgânica que será gerada pela decomposição natural dos restos mortais. 

A árvore pode ser escolhida pela pessoa ainda em vida, permitindo um vínculo pessoal com a futura “memória viva”. O projeto não deixa claro quem arcará com a manutenção das árvores, nem como será feito o controle ambiental. A proposta é a de que amigos e familiares sejam incentivados a cuidar da planta, participando ativamente do processo de luto. A cápsula, feita de amido plástico, material biodegradável, reflete a proposta ecológica dos criadores, que desejam transformar os cemitérios em verdadeiras “florestas sagradas”, marcando um novo capítulo na forma como o ser humano poderá ser enterrado quando morrer. 

Com o tempo, essa planta iria crescendo e se transformaria num símbolo da pessoa que partiu, mantendo viva a sua lembrança de forma integrada à natureza.  “O objetivo do The Capsula Mundi é criar cemitérios verdes, ou ‘florestas sagradas’, que respeitam o ciclo natural da vida e da morte. Esse conceito inovador não apenas propõe uma nova forma de preservação da memória dos entes queridos, mas também desafia o tabu em torno da morte”, dizem os criadores da proposta.

Esse tipo de mudança é interpretada como desrespeito a preceitos religiosos, por preocupações éticas sobre o destino dos corpos. A Igreja Católica, por exemplo, argumenta que os corpos humanos não devem ser tratados como “resíduos domésticos”.

Enterro sustentável no Brasil

No Brasil, já existe um Sistema de Cemitério Ecológico, desenvolvido pela Valfer Tecnologia, uma inovação incorporada aos túmulos verticais, que permite a decomposição natural dos corpos por meio da desidratação e evaporação do necrochorume. Já está amplamente adotado em diversos cemitérios no país. O Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos (SP), com 14 andares, conta com 14.000 espaços. É o mais alto do mundo, com recorde garantido no Guiness Book.

*Com informações do The New York Times

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