sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 19h02

Bandas de coco e trios de forró Pé de Serra têm apresentação cancelada na praça Marcílio Dias no São João 2023

Na segunda-feira (26), Fundação Municipal de Ação Cultural remanejou grupos para Centro Pesqueiro de Maceió e praça Dois Leões
Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Palco Quebrando o Coco foi desmontado um pouco antes do início das apresentações Fotos: Lula Castello Branco / Agência NC

O São João 2023, da prefeitura de Maceió, está com programação extensa desde o dia 8 de junho. Com mais de 1.500 artistas contratados, as festas juninas do município incluíram, após algumas negociações, as bandas de coco alagoano. Mas os shows, que começariam na sexta-feira (23), no palco Quebrando o Coco, na praça Marcílio Dias, foram cancelados um pouco antes do início das apresentações.

Na segunda-feira (26), a Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) remanejou as apresentações de algumas bandas de coco para o Centro Pesqueiro de Maceió, mesma data em que se exibiram ao público no novo local. Os shows dos trios de forró Pé de Serra foram transferidos para a praça Dois Leões, com previsão de espetáculo para os dias 06, 07 e 08 de julho.

Gabriela CraviCanela e banda se preparavam para a apresentação na Marcílio Dias quando foram informados do cancelamento. “Estávamos no palco, eu, Rogério Dyaz, Fagner Dübrown, Marvin Silva, Junior Core, Izabel Felix e os técnicos de som da FMAC. ‘Passamos o som’, na hora de começar o show, eles disseram que vinha uma ordem ‘de cima’ para retirar o equipamento. A gente saiu e foi para o camarim. Soubemos que a pessoa responsável pelo som não iria ligar enquanto a FMAC não pagasse. Não aconteceu o show, e o palco foi desmontado no sábado pela manhã”, explicou a artista.

Além de Gabriela CraviCanela, iriam se apresentar mais cinco bandas de coco, dentre elas, a Poesia Musicada no Pandeiro, de Rogério Dyaz e integrantes. As bandas de Gabriela e Rogério irão se manifestar, sobre o remanejamento, em nota a ser lançada na quarta-feira (28), à noite.

No sábado (24), foram realizadas apresentações de forró alagoano no coreto da avenida da Paz, em Jaraguá, já agendadas antecipadamente. Os Verdelinhos, grupo de coco da família Verdelinho, que se apresentariam na praça Marcílio Dias, foram chamados pela FMAC para se exibir no local, mas preferiram aguardar novas posições da Fundação.

“Quando foi lançada a programação oficial do São João, a gente viu que não tinha nada destinado ao coco. Formamos uma comissão, pedimos uma reunião com o secretário João Hugo Lyra, tivemos uma reunião excelente, em que ele pediu toda documentação para que a programação fosse feita. Criaram o polo do coco e foi divulgada toda a programação do Jaraguá. Aí veio esta surpresa. Entraram em contato dizendo que as apresentações seriam no coreto, já perto da hora. Informamos à FMAC que, devido aos acontecimentos e à falta de aviso prévio, a gente não tinha condições nem ‘clima’ para se apresentar no coreto “, esclareceu Nildo Verdelinho.

Foto: Lula Castello Branco / Agência NC
Os Verdelinhos, em apresentação, no Centro Pesqueiro de Maceió: “Nada apaga o constrangimento e o transtorno que foi, para nós, músicos da terra”, em referência ao cancelamento do palco Quebrando o Coco

Em nota de esclarecimento, a FMAC se posicionou sobre o cancelamento dos shows no palco Quebrando o Coco. “A FMAC lamenta o ocorrido e informa que está trabalhando para solucionar o problema entre a empresa contratada para montagem de palcos e suas prestadoras de serviço. A Fundação está cumprindo rigorosamente o que está previsto nos contratos para a realização do evento, que está acontecendo sem nenhuma ocorrência desta natureza em qualquer outro palco da cidade. Trata-se, portanto, de uma questão localizada. A Fundação aproveita para reiterar que os artistas em questão terão seu espaço garantido em Maceió”, informou a nota.

Após novas negociações na segunda-feira (26), Nildo Verdelinho se posicionou sobre o assunto. “Ficou tudo certo. Inclusive nós pedimos uma declaração do agendamento de hoje. Está tudo documentado. Nos apresentaremos hoje, a partir das 22h, em seguida se apresenta a Zeza do Coco e depois a Comunidade Azul. Mas nada apaga o constrangimento e o transtorno que foi, para nós, músicos da terra. Vamos brigar para que, no ano que vem, a gente não passe por essa mesma situação”, disse Nildo.

O palco do Centro Pesqueiro de Maceió estava destinado aos grupos de coco de roda, da Liga dos Coco de Roda de Alagoas (Licoal), que desenvolve os festivais e abrange música, poesia e dança. As bandas de coco estão mais direcionadas à música, com o público participando da dança ativamente. Juliana Barreto, da Comunidade Azul, que também se apresentaria no palco Quebrando o Coco, questionou a relação do poder público com a cultura popular.

“O poder público tem o olhar para a cultura local como folclore, como algo congelado no tempo, para estar nos museus. Ele hierarquiza e a tem como menor. O que não é local é o que merece ser valorizado. Isso se reflete nos cachês, que são menores, na estrutura, que é precária. Isso, o que aconteceu nesse São João, é também por causa dessa visão. É necessário ver o coco como arte, como artistas locais. O coco é uma arte ancestral, com muita poesia, música e dança. A gente estava reivindicando um local para a música, para fortalecer o coco como gênero musical, que ele também é. Quem iria dançar não seria um grupo específico, mas o público em geral”, concluiu Juliana Barreto. 

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