Centenas de marisqueiros, que vivem das mais diversas atividades que envolvem o sururu, – patrimônio imaterial de Alagoas -, circulam diariamente nas estações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU-Maceió), para o transporte do produto, rumo ao local de vendagem e distribuição. A principal estação é a Sururu de Capote. O marisco é responsável pela geração de renda de inúmeras famílias, com papel na economia local, uma boa parte formada por mulheres, que atuam desde a extração do molusco até a venda.
“Criei meus dois filhos tirando e catando sururu”, conta Maria Cícera da Silva, de 71 anos, há 40 na atividade de marisqueira. “No dia que não venho, fico triste, Estou aqui de segunda a sábado, venho e volto de trem. Amo o trem. É barato e confortável e todo mundo trata a gente bem. Se não fosse a CBTU aqui a gente morria de fome porque o transporte alternativo cobra 30 reais pra gente ir e voltar de Rio Largo e não aceita carregar o sururu. O ônibus é pior ainda, além de caro, não tem pra cá e não deixa a gente entrar com os baldes”, desabafa a marisqueira.
Paulo Roberto do Nascimento, que há 16 anos trocou a profissão de pedreiro na Construção Civil pela atividade de marisqueiro, agradece a Deus pelo trabalho, mas reconhece os benefícios da oferta de trens e VLTs, que ligam as regiões das lagoas, onde se pega o sururu. Ressaltando que, se dependesse de outros tipos de transportes existentes, seria inviável o comércio do produto. “Sem o trem, a gente taria perdido. Não tem como ser marisqueiro sem o trem”.
Em seu trajeto diário, da Estação de Lourenço de Albuquerque, em Rio Largo, até a Estação Sururu de Capote, em Maceió, onde pega o marisco, sua principal fonte de renda, Paulo Roberto conduz cerca de 15 a 20 quilos, podendo chegar a 50 quilos durante a Semana Santa. “Tenho clientes na Barra Nova, no Farol e em Rio Largo”, explica
Os trens e VLTs
A CBTU é uma sociedade de economia mista, vinculada ao Ministério das Cidades. Ela é responsável pelo transporte ferroviário na região metropolitana de Maceió. São mais de 34 km de extensão que engloba 9 bairros da capital e as cidades de Satuba e Rio Largo. Há dois projetos de expansão: um de 3,5 km, entre a Estação Maceió e o bairro da Mangabeira; e outro, o Trem Turístico e Cultural de Alagoas, que objetiva inserir regiões nas proximidades da ferrovia com potencial turístico.
Atualmente o serviço de transporte conta com 15 estações em dois braços: um liga a Estação Maceió (Central) à Estação Jaraguá; o outro parte da Estação Maceió até o bairro Lourenço Albuquerque, no município de Rio Largo. No percurso, com a Estação Mercado desativada, tem a primeira parada na Estação Bom Parto, onde há uma baldeação devido ao bloqueio da Estação Mutange.
Retorna na Estação Bebedouro e tem logo em seguida a Estação Sururu de Capote, que é onde os marisqueiros chegam e levam consigo o produto para comercializar. O destino tem outras 9 estações: Goiabeira, Fernão Velho, ABC, Rio Novo, Satuba, Utinga, Gustavo Paiva, Rio Largo e Lourenço Albuquerque. O preço da passagem custa R$ 2,50, valor que está em vigor desde julho de 2021. É uma opção muito mais econômica, pois as outras opções que os marisqueiros têm, é ônibus ou Van, onde pagariam R$ 7,00 por viagem.
O Sururu
Depois de extraído, em mergulhos ao fundo da laguna, é retirado o excesso da lama sobre a canoa. Após ser lavado, despinicado, pré-cozido em latões e peneirado, passa então pelo processo de limpeza. O molusco está pronto à venda. O Sururu é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado de Alagoas, desde 2014, por ser uma referência na culinária alagoana, bem como por sua pesca.
No ponto de vista ecológico, contribui para a manutenção do equilíbrio dos manguezais e na melhoria da qualidade da água das lagunas onde vive. Do sururu tudo é aproveitado. Desde a culinária – em pratos tradicionais como Sururu de Capote, Sururu ao Coco, Fritada de Sururu, além do substancioso Caldinho de Sururu, iguarias locais – à reutilização da sua casca, usada na construção civil, para a produção de tijolos e revestimentos.
*Com Assessoria da CBTU





























