quinta-feira, 30 de abril de 2026 – 21h06

VLT deve retornar percurso nos bairros afetados pela Braskem em 2027

Estudo sobre tecnologias japonesas deve ser implementado na área
Linha férrea interrompida no bairro de Bebedouro - Foto: LulaCastelloBranco/NC

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) deve retomar a utilização de percurso dos bairros afetados na extração de sal-gema pela mineradora Braskem. A Defesa Civil de Maceió fez recomendações técnicas para o retorno da passagem do veículo após estudos realizados em tecnologias japonesas contra eventos sísmicos. O VLT está com a circulação suspensa na região desde 2020. O retorno deve ocorrer a partir de 2027.

O veículo passará pelos bairros afetados, mas não serão construídas paradas de trem na área. “O uso do local será momentâneo, somente por um curto espaço de tempo, que é o tempo de passagem do trem pela região. Não serão construídas paradas de trem em todo o trecho dentro dos bairros afetados. A política do desastre não nos permite viabilizar o retorno de construções que ocupem a região de forma permanente”, explica o coordenador-geral do órgão, Aberlado Nobre.

Para que a circulação do trem seja possível e ocorra de forma segura, o órgão municipal repassou uma série de recomendações de segurança que devem ser rigorosamente cumpridas. O trem só poderá voltar a circular na região após todas as orientações a serem realizadas pela CBTU, com anuência da Defesa Civil de Maceió.

As discussões relacionadas ao tema vêm sendo realizadas há mais de um ano entre a Defesa Civil Nacional, a Defesa Civil de Maceió e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Até a próxima segunda-feira (23), o documento, com as orientações, será enviado à CBTU, que deve iniciar as tratativas com a mineradora Braskem para a execução das medidas.

Seguem as orientações exigidas:

  1. É imprescindível a conclusão das obras de estabilização e contenção da encosta do Mutange, visando mitigar o risco de movimentação de massa na região;
  2. Os trilhos situados no trecho da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro devem ser equipados com tecnologias de mitigação de riscos operacionais e monitoramento em tempo real, permitindo a detecção de alterações em sua geometria e deformações na região dos dormentes, a fim de garantir uma operação segura para os usuários do Veículo Leve sobre Trilho (VLT);
  3. Considerando os dados de monitoramento e os estudos realizados, que indicam a correlação positiva entre a redução da velocidade de deslocamento e as atividades de preenchimento das cavidades com areia (backfilling), torna-se evidente a necessidade de continuidade no enchimento das cavidades 20/21, 27, 15 e demais cavidades necessárias para dar segurança à passagem do trem;
  4. O trecho da linha férrea localizado na Av. Major Cícero de Góes Monteiro, entre o antigo Colégio Bom Conselho e a ladeira da Gruta do Padre Cícero Romão Batista, independentemente da operação, deverá permanecer sob monitoramento contínuo realizado pela Defesa Civil de Maceió e demais órgãos competentes.

Tecnologia japonesa

Uma equipe técnica da Defesa Civil de Maceió e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), além de representantes do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT) estiveram, em novembro deste ano, no Railroad Technical Research Institute, no Japão, para conhecer as melhores práticas internacionais no gerenciamento de emergência sísmico ferroviária. O Japão utiliza um dos planejamentos mais avançados contra eventos sísmicos no mundo.

Na oportunidade, que também contou com a presença de técnicos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a equipe conheceu como funciona o sistema e os métodos de comunicação que são fundamentais para proteger vidas e mitigar os impactos de desastres, no país que utiliza um dos planejamentos mais avançados contra eventos sísmicos no mundo.

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