sexta-feira, 15 de maio de 2026 – 20h22

Pesquisas apontam para risco 21% maior do desenvolvimento de linfomas em pessoas tatuadas

Problemas estariam relacionados à composição das tintas e aos impactos das tatuagens a longo prazo no organismo
Foto: MarceloBragion/Pixabay

Pesquisas recentes apontam para um risco 21% maior do desenvolvimento de linfoma maligno em pessoas que possuem tatuagens. Os resultados foram obtidos em análise feita com 11,9 mil pacientes, tatuados e não tatuados, com idades entre 20 e 60 anos. O estudo, realizado na Suécia, de 2007 a 2017, mostra um aumento do diagnóstico do câncer e a possível associação entre a doença e a prática da tatuagem. Os pesquisadores alertam para a falta de conhecimento dos potenciais impactos, a longo prazo, no organismo e destacam os riscos, para a saúde, dos componentes utilizados nas tintas aplicadas na pele humana.

Os estudos apontam para uma considerável variedade de componentes nas tintas, incluindo substâncias classificadas como cancerígenas, compreendendo compostos orgânicos e inorgânicos, como aminas aromáticas primárias, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e metais.“Os gânglios linfáticos contêm células em proliferação e são alvos sensíveis para produtos químicos cancerígenos”, explicam os autores do estudo. “Parece razoável que a perturbação imunitária causada por produtos químicos relacionados com tatuagens depositados no sistema linfático possa explicar uma associação potencial entre a exposição à tatuagem e o linfoma”, apontam.

Publicada na revista científica eClinicalMedicine (Lancet), o estudo foi bem recebido por médicos, pela robustez e precisão dos dados, mas advertem, no entanto, para a cautela necessária na interpretação dos resultados e a necessidade de continuação da pesquisa em estudos posteriores. “É importante lembrar que o linfoma é uma doença rara e que nossos resultados se aplicam a nível de grupo (ou seja, refletem a tendência para uma grande população, mas não devem ser usados para estimar o risco de um indivíduo específico). Os resultados agora precisam ser verificados e investigados mais a fundo em outros estudos, e tais pesquisas estão em andamento”, disse a epidemiologista, Christel Nielsen, principal autora do trabalho, em comunicado à imprensa.

Fonte: TheLancet

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