quinta-feira, 14 de maio de 2026 – 02h58

USP conclui em estudo que máscaras são ineficazes contra vírus da Covid-19

Análise foi feita em 24 países europeus entre 2020 e 2021
Foto: Reprodução

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que as máscaras foram ineficazes para conter a transmissão da Covid-19. A análise, realizada em 24 países europeus, entre 2020 e 2021, revelou que os maiores índices de mortalidade ocorreram em países com maior adesão e rigor na utilização do artefato. Os pesquisadores estabeleceram uma relação entre uso de máscaras em meio à população e as mortes causadas pela doença.

A pesquisa foi conduzida pelos cientistas Daniel Tausk, professor do Departamento de Matemática do Instituto de Matemática e Estatística, e Beny Spira, professor do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas. “As principais conclusões deste estudo são duas: no nível populacional, as máscaras não reduziram a transmissão da COVID-19 e seu uso está significativamente associado ao excesso de mortes”, afirmaram os pesquisadores.

Intitulado “O uso de máscaras está correlacionado com o excesso de mortalidade? Descobertas de 24 países europeus”, o estudo foi publicado no prestigiado periódico científico BMC Public Health e revisado por pares. Foram analisados dados de países com população superior a um milhão e com registros confiáveis sobre excesso de mortalidade.

A pesquisa levantou a hipótese de que o uso prolongado de máscara pode ter causado efeito adverso nas pessoas infectadas, como a reinalação de partículas virais, o que poderia ter prolongado a infecção e facilitado a disseminação do vírus. “Uma hipótese é que o uso de máscaras pode levar ao aumento da mortalidade em pacientes com COVID-19 ao promover a reinalação de vírions, potencialmente piorando o prognóstico do paciente”, explicaram. 

Países como Noruega e Holanda só impuseram leis mais rigorosas no inverno (a partir de final de dezembro) de 2020/2021. Já Dinamarca e Suécia foram mais flexíveis durante todo o período analisado. Estes países tiveram índices de mortalidade 7,7 menores, que nações como Itália, Portugal e Espanha, as quais adotaram regras mais rigorosas desde a primavera ( a partir de março) de 2020 e registraram taxas mais altas de mortalidade.

A investigação científica é classificada como um estudo observacional e não estabelece causalidade para o excesso de mortes. Os pesquisadores, no entanto, afirmaram que suas descobertas levantam questionamentos. “Não detectamos apenas uma correlação, mas fizemos uma análise multivariada com diversas análises de sensibilidade. Embora não se trate de um estudo randomizado, diversos estudos publicados avaliando o efeito de intervenções na pandemia utilizam esse tipo de metodologia que usamos”, esclareceram.

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