De falar com um caro amigo, William Piauí, professor da UFS, após ter lido o texto anterior (veja: https://noticiasdocentro.com.br/colunas/hudson-canuto-alagoanes/a-sandalha-da-filha-de-familha/), lançou-me ele a questão de qual processo se deu na mudança do registro para o resistro. Lembrando que aqui não temos postura de censores da língua, mas apenas de observadores apaixonados.
Questão interessante deveras! Vamos buscar, pois, qual foi a metamorfose que aí se operou para entendermos mais nossa língua, «Em que da voz materna ouvi: Meu filho / E em que Camões chorou, no exílio amargo / O gênio sem ventura e o amor sem brilho» (Olavo Bilac, Língua Portuguesa); e entendendo-a, amá-la ainda mais.
Aqui o femômeno em curso é o inverso do que houve nos casos apontados nos textos anteriores: eita › eitcha, dia › djia, tia › tchia; e família › familha. Nesses exemplos ocorrera palatalização. Em resistro, o que ocorreu foi uma despalatalização, embora não haja registros do processo no desenvolvimento da língua, o uso, majestoso e irrefreável, consagra novidades inopinadas para perpetrar eficazmente o evoluir do idioma.
Do latim, para corroborar isso, podemos ver o processo de palatalização ocorrendo com sons similares aos que estamos compulsando: cereviSia, primeiro perdeu um som “e”, virando cervisia, para em seguida o “s” sonoro [z] palatalizar-se em “g/j”, transformando-se em cerveJa. Enfim, considerando isso tudo e a ausência de alguma referência nas gramáticas históricas, aventamos a nomenclatura despalatalização para indicar o processo de transformação do reGistro no popular reSistro. (Haveria ainda uma consideração a fazer sobre a forma resisto, mas por ora basta.)





























