sexta-feira, 24 de abril de 2026 – 01h00

Um dos mais referenciados Arquitetos Brasileiros, natural do Espírito Santo e sabidamente paulistano, Paulo Mendes da Rocha, talento reconhecido em todo o planeta Terra, já desaparecido, premiadíssimo no exterior do país, Medalha de Ouro da UIA (União Internacional dos Arquitetos) e o Pritzker nos EUA (frequentemente referenciado como o Nobel para Arquitetos), sempre afirmou em palestras e entrevistas que: “A cidade é a maior invenção da humanidade”.

Desenvolvemos com a Cidade uma relação tão intensa, intrínseca, simbiótica, inteligente, emocional e interessante. Essa construção diária e que parece nunca estará completa é mais que o panorama coletivo, muito mais que paisagem e abrigo. É também o espelho do indivíduo. Podemos não gostar, podemos não admitir mas, a Cidade nos molda e nós modelamos a Cidade. Sem formatação.
Feliz Cidade como mote da administração pública, Cidadela nos tempos de combate corpo a corpo. Cidade isso , Cidade aquilo, Cidade Sorriso com dentes cariados. Cidade meretriz quando causa contragosto, Cidade saturada quando o planejamento é lento e falho. Cidade maravilha quando intensamente visitada e vivida.
Cidades de dentro; onde o bom conhecedor se reconhece. Cidades de fora; quando os extrínsecos acumulam e levam o capital. Cidade natal. Cidade escolhida. Cidade escondida. Cidade falseada, vilipendiada e vendida.
Cidade nebulosa.

De todos e não é para a totalidade. “A Cidade não pára, a Cidade só cresce. O de cima sobe, o de baixo desce.” Já cantou o ícone Chico Science do vizinho Pernambuco.
Cidade Labirinto, de onde não se volta. Cidade Tonalidade. Necessidade. Cidade Urbanita.

A violência, antes vivenciada nos deslocamentos nas estradas e nos campos, hoje está instaurada onde nos abrigamos, resistimos, trabalhamos, deslocamos, oramos, divertimos. Cidade, o celeiro celebrante das oportunidades.
Celeiro dos cérebros e de cerebridades.

No quadro avaliativo de Jane Jackobs, escritora, jornalista e ativista, que realizou agudo trabalho de análise e observação sobre cidades norteamericanas, onde parece revelar a derrota de ideias preconcebidas e preconizadas, sendo suplantadas pelos arranjos e acomodações sociais locais.
Pelas vivências, por surpresas e respostas imprevisíveis.
Pelos organismos vivos e solidários.
Livro que quero crer, nunca será obsoleto ou esquecido. Quando o estudo procurar desvendar a cidade, essa invenção humana.

A Cidade é ciência. Ou ciências. Para o gestor, o imenso palco. Para o morador será sempre o modelo tangível convivendo com o intangível, faces unidas e opostas como numa moeda. A Cidade cara e a Cidade coroa. Para o planejador a incógnita, feita de dicotomias e dialética. Para o visitante a última e maior maravilha do universo.
Para o citadino, a espera da eterna conversão, plasticizada pelo efêmero e imediatismo midiático. Engessada e ainda vigorosa. Capaz da superação legitimada.

Caríssimos urbaNAUTAS,
quantos significados pode vir a ter a Cidade?

Para o estudioso um campo vasto e vazio, máscara e refração. Música e silêncio.
Aberta em leques infinitamente possíveis de inúmeros recortes a se desvendar.
Em novelos sonolentos e novelas de ficção real.
Contudo e contra tudo possa se cometer atrocidades.
Para o sonhador, um tempo de realizações que nunca chegam.
Para o planejador a sofrência do sobrepujamento da demanda técnica pela fortuita demanda política;
Para o viajante o por quê não fizeram ainda assim na minha cidade?

Maceió, Das Alagoas,
terça feira, 04 de junho de 2024

Ensaio dedicado a Diana Farias que
no último dia 02 completou dois anos em volta do sol.
Bem como as ideias melhores ainda.

Fotos: RCF
Texto: RCF

Respostas de 15

  1. Replico o comentário que recebi via whatsapp, do compadre Pinheiro Junior:
    “👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Maravilha de ensaio compadre!”
    Obrigado, meu irmão!

  2. “Muito bom, depois vou reler com calma”

    Público aqui, comentário de Bispo Filho, recebido via whatsapp, com nosso apreço e agradecimento.

  3. Do caríssimo Cícero Soares, recebi via whatsapp, e público junto aos agradecimentos e apreço:

    “Parabéns, parabéns, parabéns caro amigo, que Deus abençoe sempre. Abraço”

    Outro abraço fraterno.

  4. Também, via whatsapp, encaminho a mensagem recebida de Lula Castelo Branco:

    “Sobre a cidade é isso: A fala do arquiteto. A inquietude da percepção persegue a amplitude do percebido, ela, a inquietude, instalada no âmago de quem sabe e conhece aquilo que parece estar quieto, no caso a cidade, da lama ao caos e do caos à lama, a história apagada e resistência pelo que restou, diante a evolução, que sobre a tutela mestra dos humanos, tende a ser o que tem que ser, mas para a nossa inquietude a resistência é essencial. Bala na língua, pois que a fala é uma forte arma, também navalha, na carne viva dos vivos, muitos aparentemente vivos, opacos e inertes, salvos os brados dos que se inquietam!”

    É assim, nobre amigo, de inquietude em inquietude e falando baixo! Agradecido pela atenção dispensada.

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