sexta-feira, 24 de abril de 2026 – 02h32

Um dos mais referenciados Arquitetos Brasileiros, natural do Espírito Santo e sabidamente paulistano, Paulo Mendes da Rocha, talento reconhecido em todo o planeta Terra, já desaparecido, premiadíssimo no exterior do país, Medalha de Ouro da UIA (União Internacional dos Arquitetos) e o Pritzker nos EUA (frequentemente referenciado como o Nobel para Arquitetos), sempre afirmou em palestras e entrevistas que: “A cidade é a maior invenção da humanidade”.

Desenvolvemos com a Cidade uma relação tão intensa, intrínseca, simbiótica, inteligente, emocional e interessante. Essa construção diária e que parece nunca estará completa é mais que o panorama coletivo, muito mais que paisagem e abrigo. É também o espelho do indivíduo. Podemos não gostar, podemos não admitir mas, a Cidade nos molda e nós modelamos a Cidade. Sem formatação.
Feliz Cidade como mote da administração pública, Cidadela nos tempos de combate corpo a corpo. Cidade isso , Cidade aquilo, Cidade Sorriso com dentes cariados. Cidade meretriz quando causa contragosto, Cidade saturada quando o planejamento é lento e falho. Cidade maravilha quando intensamente visitada e vivida.
Cidades de dentro; onde o bom conhecedor se reconhece. Cidades de fora; quando os extrínsecos acumulam e levam o capital. Cidade natal. Cidade escolhida. Cidade escondida. Cidade falseada, vilipendiada e vendida.
Cidade nebulosa.

De todos e não é para a totalidade. “A Cidade não pára, a Cidade só cresce. O de cima sobe, o de baixo desce.” Já cantou o ícone Chico Science do vizinho Pernambuco.
Cidade Labirinto, de onde não se volta. Cidade Tonalidade. Necessidade. Cidade Urbanita.

A violência, antes vivenciada nos deslocamentos nas estradas e nos campos, hoje está instaurada onde nos abrigamos, resistimos, trabalhamos, deslocamos, oramos, divertimos. Cidade, o celeiro celebrante das oportunidades.
Celeiro dos cérebros e de cerebridades.

No quadro avaliativo de Jane Jackobs, escritora, jornalista e ativista, que realizou agudo trabalho de análise e observação sobre cidades norteamericanas, onde parece revelar a derrota de ideias preconcebidas e preconizadas, sendo suplantadas pelos arranjos e acomodações sociais locais.
Pelas vivências, por surpresas e respostas imprevisíveis.
Pelos organismos vivos e solidários.
Livro que quero crer, nunca será obsoleto ou esquecido. Quando o estudo procurar desvendar a cidade, essa invenção humana.

A Cidade é ciência. Ou ciências. Para o gestor, o imenso palco. Para o morador será sempre o modelo tangível convivendo com o intangível, faces unidas e opostas como numa moeda. A Cidade cara e a Cidade coroa. Para o planejador a incógnita, feita de dicotomias e dialética. Para o visitante a última e maior maravilha do universo.
Para o citadino, a espera da eterna conversão, plasticizada pelo efêmero e imediatismo midiático. Engessada e ainda vigorosa. Capaz da superação legitimada.

Caríssimos urbaNAUTAS,
quantos significados pode vir a ter a Cidade?

Para o estudioso um campo vasto e vazio, máscara e refração. Música e silêncio.
Aberta em leques infinitamente possíveis de inúmeros recortes a se desvendar.
Em novelos sonolentos e novelas de ficção real.
Contudo e contra tudo possa se cometer atrocidades.
Para o sonhador, um tempo de realizações que nunca chegam.
Para o planejador a sofrência do sobrepujamento da demanda técnica pela fortuita demanda política;
Para o viajante o por quê não fizeram ainda assim na minha cidade?

Maceió, Das Alagoas,
terça feira, 04 de junho de 2024

Ensaio dedicado a Diana Farias que
no último dia 02 completou dois anos em volta do sol.
Bem como as ideias melhores ainda.

Fotos: RCF
Texto: RCF

Respostas de 15

  1. Recebi e público a mensagem de Maria Machado, via whatsapp, junto aos melhores agradecimentos:

    “E os atores principais , nós, ficamos numa luta desenfreada entre o côncavo e convexo tentando um encaixe que jamais irão convergir, e nessa luta os “mais fortes” a duras penas conseguem respirar, os fracos sucumbem e os maldosos vagabundos de caneta na mão saem bailando na cara de todos.”

  2. “Excelente artigo👏🏼👏🏼👏🏼❤️🥰”

    Agradeço e publico o comentário da tia Iva Cunha, via whatsapp.

  3. Recebi pelo whatsapp de meu compadre Pinheiro Junior:

    “👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Maravilha de ensaio compadre!”

    Compartilhar agradecendo é muito importante e bom!

  4. Mais uma vez somos agraciados com um texto primoroso!!! Com muito atrevimento faço meus o poema de Fernando Brant ” Paisagem da Janela ” quando, acredito eu, o poeta de sua janela lateral observava a cidade com suas “cores morbidas” e “homens sórdidos”. Faço uso do referido poema para expressar o exato momento que lia o texto, não sorvendo cada parágrafo com uma boa cachaça em qualque botequim na periferia da cidade como pretendia, que o poema surge claro na minha imaginação, daas referências descritas no presente texto que, em minha impressão, pulsa e expressa em prosa a Maceió em movimento. Gratidão meu brother por permitir mais uma viagem urbana sem sair da minha janela lateral … abrs

    1. Quem muito agradece sou eu, Brother, pelo contributo e metáforas aproximadas, que apropriadamente trazes a lume. Sendo as janelas, os tantos recortes possíveis. E a talagada que impreterivelmente não pode faltar.
      Fraterno e forte abraço!

  5. Porque migramos para elas, porque insistimos em viver nelas… cidades… onde o ser humano se socializa, se realiza… onde encontra amigos verdadeiros e também duvidosos. Os perigos estão nas esquinas, escuras ou claras; nos terrenos baldios ou nas ruas quase desertas, com exceção das vias principais. Aglomerados de veículos com seu peculiar monóxido de carbono… quentes como brasa… buzinam… aceleram… mas também lugar de prazeres… efêmeros… porém constantes se a sua opção for esta. Capitalismo e consumismo. É a ordem da hora… vamos ao shopping? Sim. Lá teremos tudo, inclusive uma temperatura agradável. Boa comida. Agradável também aos olhos são as vitrines… ambulantes ou não… quisera eu organização, um bom saneamento para não poluir nossos mares caribenhos, com ruas e avenidas bem pavimentadas… bem iluminadas…segurança…afinal, não pagamos impostos? Politicagem sem fim, absorvendo nossos recursos em prol de si mesmo. Essa é a nossa sociedade. Parceria com o sistema. É o que rola. Mas como poderíamos fugir disso? O homem não foi feito para viver só. Antes em acordo, com as cidades… minha bela Maceió, a mais linda de todas. Belo texto RCF 👏👏👏

    1. Obrigado Eduardo, por tão bem discorrer de maneira reflexiva. Pontos abordados com lampejos lúcidos e coerentes; nosso hoje! E que continuemos a navegar nesse mar de escolhas. Sanear, sanear, sanear e sanear! Abraço fraterno e forte.

  6. Querido Robertinho, como andarilha, posso dizer que hoje sou cidadã de 3 cidades, a minha cidade natal onde nasci e cresci que é pra mim a eterna cidade Sorriso a nossa Maceió, a outra cidade é essa que me acolheu e por 22 anos quase 23, tem sido meu porto seguro e para onde sempre volto, como diz a definição egípcia de meu nome: Aída a que sempre volta! E a última cidade que sou cidadã, é a cidade que me pegou pelo coração, quando estava frágil e que me acolheu por 11 anos, que é St. Albans que sempre volto para visitar e fazer feliz meu coração ! Todas elas me achei também no direito de reclamar do que estava errado e elogiar quando está dando certo! Esse é o comportamento normal de cidadãos e cidades… sem isso seria chato demais! Parabéns, bela coluna e belissimas fotos!

    1. Obrigado Aída, pelo manifesto das suas formas de se relacionar com os espaços urbanos. Lindas observações experienciadas e vivências significativas no vosso espaço – tempo.
      Também entendo que o senso crítico amplia possibilidades e vida o necessário estado de solucionabilidade.
      Obrigado, muito querida!

  7. Falando em formação da cidade,vejo que Maceió está cheia de crateras em virtude da má qualidade de asfalto e dicionamento do dinheiro público somente para shows.

    1. Boa observação, Márcio! Sempre bom tê-lo por aqui. Há, meu amigo, muitas mazelas e moléstias vindas do século XIX e que ainda persistem neste final de ¼ do avançar do século XXI. Acabar com o contágio deverá ser a meta!

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