Uma fala do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repercutiu nas redes sociais e causou indignação entre usuários e posicionamento de especialistas na área da saúde. Durante ato de campanha eleitoral, em Belém (PA), na segunda-feira (28), ao criticar os homens, que resistem a fazer o exame de próstata por “covardia”, Lula disse que “as mulheres aprende a tomar toque desde quando é pequena”.
“Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprende a tomar toque desde quando é pequena”, disse.
De acordo com algumas falas na rede X, a afirmação do presidente foi associada a abuso sexual infantil, misoginia e desinformação médica, em relação aos exames ginecológicos.
“É uma misógina e que normaliza o abuso”. “Essa fala do Lula dói muito em qualquer pessoa, mas um pai de menina, isso impacta ainda mais”; “Fala nojenta. Usar menina para comparar exame de próstata é um absurdo. Isso não é campanha de Saúde”. “Isso aqui é o absurdo dos absurdos, cara. De onde ele tirou essa informação? Protejam as crianças”. São exemplos de postagem sobre o fato na rede social.
Um perfil, relacionado à medicina, esclareceu que os exames ginecológicos não são feitos em crianças. “Desde já deixamos explícito que TOQUE VAGINAL EM MENINAS (CRIANÇAS) NÃO É ROTINA E NÃO É NORMAL. Assim como exame ginecológico especular NÃO É FEITO EM MENINAS CRIANÇAS. Qual sujeito que tente normalizar que ‘tocar’ uma criança é habitual, tem inclinação à pedofilia”, escreveu, com partes em caixa alta.
“Como profissional de saúde, preciso deixar bem claro: criança e menina NÃO fazem toque ginecológico ou exame bimanual. Isso é um absurdo técnico. A conduta na ginecologia pediátrica é estritamente não invasiva (palpação abdominal e inspeção externa). Desinformação na saúde custa caro! Quem faz isso com criança é abusador”, explicou uma usuária das redes.
No mesmo evento, o atual mandatário do Executivo federal politizou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, ao levantar uma réplica da Padroeira do Brasil. O uso político da fé católica foi debatido entre cristãos católicos e evangélicos, devido à informação falsa de que o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), se eleito, retiraria da santa o título de padroeira do país.
A fake news já foi desmentida pela Globo News, que se desculpou pelo comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, no programa Em Pauta. Segundo ela, a medida teria sido aventada por setores evangélicos.
O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB) divulgou Nota de Repúdio, em relação à falsa informação.
“O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), entidade que reúne mais de 10 mil pastores de diversas denominações, repudia com veemência a utilização de uma fake news por Lula e seus seguidores para atingir um adversário político e, o mais grave, promover uma guerra religiosa entre católicos e evangélicos.
Evangélicos e católicos vivem em paz. Não existe nenhuma iniciativa por parte de líderes evangélicos, junto a nenhuma candidatura, para promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”, esclareceu a entidade, no documento assinado por 14 líderes evangélicos.




























