segunda-feira, 28 de setembro de 2026 – 18h16

Politização de Nossa Senhora Aparecida provoca reação entre católicos e coloca CNBB no debate

Levantamentos mostram indignação de fiéis com uso do nome da Padroeira do Brasil
Católicos criticam uso político de Nossa Senhora Aparecida - Foto: Lula Castello Branco / NC

A informação falsa de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil ganhou força nas redes sociais. O boato provocou indignação entre católicos e levou a campanha do candidato a se posicionar publicamente.

A reação nas redes sociais mostra que o episódio atingiu diretamente o público católico. Um levantamento da Vox Radar, que analisou mais de 180 mil comentários em 20 horas, apontou que, entre usuários que se declararam católicos, 47% acreditaram na informação falsa, enquanto apenas 14% a desmentiram.

Outro levantamento, da AP Exata, identificou 150 mil menções ao episódio e apontou que 19,8% expressaram indignação com a suposta ameaça à Padroeira, enquanto 25,9% criticaram a própria disseminação da informação falsa.

A origem da informação falsa está relacionada a uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que foi arquivada em 2008 e não tem relação com a atual candidatura de Flávio. A informação também foi posteriormente corrigida pela GloboNews, que havia associado o antigo projeto ao candidato.

Mesmo após a correção, a narrativa continuou circulando. O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, chegou a determinar a remoção de publicações, que apresentavam como verdadeira a informação falsa sobre Flávio Bolsonaro. Posteriormente, o ministro do STF, Flávio Dino, revogou a decisão da Justiça Eleitoral.

A desinformação colocou ainda a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no centro da discussão. Flávio Bolsonaro afirmou que o PT teria conseguido disseminar a fake news com a ajuda de pessoas ligadas à entidade, mas não apresentou publicamente provas da participação.

“Mais esse ‘canetaço’ do Flávio Dino, uma defesa que ele faz da liga da mentira do PT. O PT hoje tem uma liga da mentira, uma grande teia de perfis falsos, de perfis pagos com dinheiro público, uma orquestração para divulgação de fake news”, afirmou Flávio Bolsonaro.

“A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Jamais existiu esse movimento para tirá-la como Padroeira do Brasil. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu com ajuda de gente da CNBB. Infelizmente, essa é a verdade”, complementou o candidato.

A CNBB negou participação na produção ou divulgação do conteúdo. Em nota, afirmou que não compactua com informações falsas. “A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possa beneficiar ou prejudicar”, disse a entidade episcopal, em parte do documento.

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