sexta-feira, 9 de outubro de 2026 – 20h04

Flamengo entra em campo contra Santos com frase ‘Proibir não é proteger’ na camisa

Referência à proibição das bets ocupou lugar do patrocínio máster
Frase na camisa rubro-negra ocupou lugar da Betano, plataforma de apostas esportivas e jogos online - Foto: Reprodução/Internet

O Flamengo entrou em campo contra o Santos, na Vila Belmiro, com a frase “Proibir não é proteger”, estampada na parte central do uniforme, espaço normalmente destinado ao patrocinador máster. A manifestação ocorreu, na quinta-feira (8), durante a partida pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O protesto integrou a mobilização de setores ligados ao mercado de apostas contra a medida provisória do governo federal, que proibiu a operação de plataformas de apostas esportivas no Brasil. As bets se consolidaram como as principais patrocinadoras do futebol brasileiro, com presença expressiva nos uniformes dos clubes e investimentos milionários. 

A iniciativa foi articulada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades ligadas ao setor. Durante a rodada do Brasileirão, mensagens contra a proibição também foram exibidas em placas publicitárias de partidas, com slogans como “não se muda a regra no meio do jogo” e “a demanda não acaba, apenas muda de endereço”. 

O jogo terminou empatado em 2 a 2. O Flamengo abriu dois gols de vantagem no primeiro tempo, com Danilo e Lucas Paquetá, mas o Santos reagiu na etapa final. Dois gols de pênalti, marcados por Neymar, igualaram o placar para a equipe paulista. Mas, além do resultado, a partida ganhou repercussão pela mensagem exibida na camisa rubro-negra. 

A mobilização ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar a medida provisória que determina a proibição das apostas de quota fixa no país. A decisão entrou em vigor em 6 de outubro e foi justificada pela necessidade de proteger os consumidores e enfrentar o endividamento das famílias. Em 2023, o governo federal havia estabelecido o marco legal para a regulamentação do setor de jogos no Brasil.

No caso do Flamengo, a Betano ocupava o espaço de patrocinador máster do uniforme, uma das áreas comerciais mais valorizadas. A restrição às empresas afetou a exposição das marcas e levantou dúvidas sobre a continuidade de contratos e receitas do futebol brasileiro. As perdas potenciais para os clubes da Série A já  ultrapassariam R$ 1 bilhão. 

A atitude do Flamengo provocou debate no meio esportivo e nas redes sociais. Setores ligados aos clubes e às apostas argumentaram que a proibição poderia prejudicar as receitas esportivas e estimular o mercado ilegal. Especialmente pela forma como a decisão do governo federal foi tomada, em plena época de campanha eleitoral, após haver regulamentado o setor no país. Apoiadores da decisão governamental criticaram a manifestação flamenguista, argumentando que o time não pensou nos torcedores. “Flamengo lucra, torcedor se endivida”, disse internauta.

Outros clubes também adotaram medidas diante da mudança regulatória. Algumas equipes recorreram a patrocinadores temporários ou deram destaque a outras marcas e iniciativas institucionais nos uniformes. O Vasco promoveu o seu programa de sócio-torcedor, no clássico contra o Botafogo. Já o São Paulo e o Fluminense utilizaram a marca Superscore, ligada ao grupo empresarial de sua antiga patrocinadora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também