terça-feira, 6 de outubro de 2026 – 17h59

Baixa qualidade da safra de trigo eleva preço no mercado nacional

Chuvas, que afetam safra do grão, devem elevar importações e encarecer pão
Cultivo do trigo é estratégico para o Brasil, com importância econômica, alimentar e agrícola - Foto: Reprodução/Aegro

A menor disponibilidade de trigo tipo 1 começou a inflacionar os preços do cereal no mercado brasileiro. A forte umidade devido ao excesso de chuvas, registrada ao longo do ciclo de cultivo, comprometeu a qualidade das lavouras e gerou um volume maior de grãos dos tipos 2 e 3. 

Esses são marcados pelo Peso Hectolitro (PH) mais baixo – medida de qualidade que é usada como parâmetro no comércio de grãos. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Diante da escassez de grãos dentro dos padrões exigidos pela indústria moageira, os produtores que ainda mantêm estoques do trigo de maior qualidade passaram a pedir valores mais altos em suas negociações.

A alta nos preços ocorre em paralelo ao avanço da colheita no país. O levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que 28,9% da área semeada com trigo no Brasil havia sido colhida até o dia 25 de setembro.

O cenário reflete um descompasso claro no campo. Embora a oferta física cresça à medida que as máquinas avançam em quase um terço das lavouras, o volume de trigo de ponta não acompanha o ritmo. 

Com a ampla predominância de lotes de menor qualidade no mercado, os produtores de trigo tipo 1 seguem ditando as regras de preço e garantindo margens mais altas.

Diante da menor oferta de trigo Tipo 1 nacional, a tendência é que os moinhos brasileiros aumentem a dependência de grãos importados — vindos principalmente da Argentina e do Paraguai — para suprir a demanda industrial por farinha de panificação. 

O cenário também acende um alerta para o consumidor final, que pode sentir reflexos no preço do pão e derivados nas próximas semanas. O trigo de menor qualidade, colhido no país, acaba sendo direcionado para a produção de ração animal.

*Com informações do portal Agrolink

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também