sábado, 26 de setembro de 2026 – 12h10

Previdência Social: Dois modelos possíveis

Todo Direito
Foto: LulaCastelloBranco/NC

Os sistemas previdenciários de cada país são distintos e aplicados de acordo com a política social adotada. Contudo, nivelam-se no sentido de ser um recurso financeiro que será oferecido à população adulta quando estiver sem condições de exercer a capacidade laboral.

A discussão sobre a sustentabilidade da Previdência Social volta e meia ganha destaque, especialmente diante do envelhecimento da população e do crescimento dos gastos públicos. Entre as propostas que surgem, dois modelos se destacam: o sistema de repartição simples e o de capitalização individual.

Sistema de Repartição Simples

Em linhas gerais, no modelo de repartição simples, adotado atualmente no Brasil, os trabalhadores em atividade contribuem mensalmente para financiar os benefícios dos aposentados e pensionistas e, futuramente, a situação se inverte: os atuais fornecedores do capital passam a usufruir pelo tempo de participação, enquanto que novos trabalhadores mantêm esse fluxo funcionando. É como um pacto entre gerações: quem está na ativa paga por quem já contribuiu ao longo da vida.

O funcionamento é relativamente simples. Os atuais trabalhadores pagam, obrigatoriamente, um valor mensal para o INSS, e esse fundo financeiro é usado para o pagamento de quem já está aposentado, garantindo assim um sistema colaborativo entre os trabalhadores.

Como há a contribuição de todos os trabalhadores que estão na ativa, o montante total acumulado é bastante sólido, permitindo a distribuição aos aposentados. Além disso, o trabalhador não fica exposto à própria sorte. Se ele ficar desempregado, por exemplo, não deixa de ter direito aos seus valores caso cumpra as regras para aposentadoria.

Esse modelo permite mecanismos de redistribuição de renda, proteção aos mais vulneráveis e integração de políticas sociais.

Ademais, ele reconhece o trabalho não apenas como fonte de contribuição monetária, mas como uma função social. Mulheres, trabalhadores rurais, pessoas com deficiência e quem viveu parte da vida na informalidade ainda encontra no sistema de repartição a chance de uma aposentadoria com dignidade.

O envelhecimento da população e as mudanças no mercado de trabalho desafiam a sustentabilidade da Previdência. Contudo, existem alguns caminhos que devem ser adotados para fortalecer o modelo solidário de Previdência Social. A saída passa por fortalecer o combate à sonegação, ampliar a formalização do trabalho, rever isenções fiscais injustas e discutir com seriedade novas fontes de financiamento.

Sistema de Capitalização Individual

Já no sistema de capitalização individual, cada trabalhador contribui para uma conta própria, como se fosse uma poupança para sua aposentadoria futura. Ou seja, o valor que ele vai receber quando se aposentar depende diretamente do que acumulou ao longo da vida — e dos rendimentos desses investimentos.

Esse modelo transfere o risco para o trabalhador que, se vier a ficar desempregado, se trabalhar informalmente, ou se tiver baixos rendimentos durante a vida, terá a aposentadoria comprometida. Além disso, o modelo depende fortemente do desempenho dos mercados financeiros, sujeitos a crises e oscilações que fogem do controle do cidadão comum. 

Além disso, os custos de transição do sistema atual para um modelo de capitalização podem ser altíssimos, pois o Estado continuaria pagando os aposentados atuais, enquanto os novos contribuintes deixariam de financiar o sistema.

A escolha entre um modelo e outro — ou uma combinação dos dois — deve ser feita com base em dados, projeções e, principalmente, na realidade social do país. Em um Brasil ainda marcado por altas desigualdades, informalidade no mercado de trabalho e rede de proteção social frágil, qualquer mudança no sistema previdenciário precisa ser cuidadosamente planejada e amplamente debatida.

A Previdência é muito mais que números: é um pacto social sobre como cuidamos dos que contribuíram com seu trabalho ao longo da vida. Seja qual for o modelo escolhido, ele precisa garantir dignidade para quem envelhece — e responsabilidade com as futuras gerações.

Contatos:

WhatsApp: (82) 99335-9596

E-mail: [email protected]

Instagram: @karlamontoni.advogada

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Também
Leia Também