A observação da Terra entrou em uma nova fase com o lançamento do satélite Biomass, da Agência Espacial Europeia (ESA), em 2025. Equipado com um radar de banda P, tecnologia inédita em missões orbitais, o satélite permite atravessar copas de árvores, gelo e solos áridos, revelando formações que até então permaneciam fora do alcance dos sensores ópticos tradicionais. A proposta é ambiciosa: refinar a medição da biomassa e do carbono em escala global, com impactos diretos sobre políticas ambientais.
No caso da Amazônia, a capacidade de penetração do Biomass permitiu visualizar estruturas internas das florestas e corpos hídricos encobertos pela vegetação densa. Ao contrário dos sensores anteriores, que captavam apenas a cobertura superficial, o novo radar fornece dados sobre o volume da vegetação, contribuindo para mensurar o carbono armazenado. Essa medição é considerada crucial para entender o papel das florestas tropicais no ciclo climático e nos compromissos internacionais de mitigação de emissões.
Além da Amazônia, as primeiras imagens divulgadas pela ESA abrangem regiões diversas — como o norte da Bolívia, a bacia do rio Ivindo na África Central, partes do deserto do Saara e as geleiras da Antártida. No caso polar, o radar conseguiu perfurar as camadas de gelo das Montanhas Transantárticas e do glaciar Nimrod, oferecendo novas perspectivas para pesquisas sobre dinâmicas glaciais e mudanças climáticas.
O diferencial técnico do satélite está no comprimento de onda de 70 cm do radar de banda P, capaz de captar dados onde sensores ópticos e de micro-ondas convencionais falham. Isso permite, por exemplo, acompanhar a regeneração de áreas desmatadas, detectar transformações no uso da terra e comparar diferentes biomas com mais precisão. O avanço não substitui outros sistemas de monitoramento, mas complementa e aprofunda análises já em curso por governos e centros de pesquisa.
Ainda em fase de calibração, o Biomass deve fornecer dados operacionais nos próximos anos. A expectativa é que esses registros sejam incorporados a plataformas científicas e instrumentos de tomada de decisão, inclusive no contexto da Convenção do Clima e de políticas nacionais de conservação. Embora a tecnologia seja europeia, seus efeitos são globais — e o Brasil, com sua vasta cobertura florestal, está no centro desse novo campo de observação.
Fonte: Portal Geocracia





























