sexta-feira, 23 de outubro de 2026 – 09h32

A Festa do Nordeste Independente

Histórias do Velho Capita
Imagem: Arte/NC

O imperador Pedro II, certa vez, prometeu: “Venderei todas as joias de minha coroa, mas resolverei os problemas do Nordeste”. Finalmente depois de tanto tempo, na campanha eleitoral deste ano, um jovem deputado mineiro, um piá, com coragem e inteligência conseguiu mostrar com depoimentos dos próprios nordestinos a situação de miséria do povo há mais de séculos. Foi a peça mais interessante nessa eleição de 2026, seja qual for o resultado.

Impressionado com o trabalho do deputado mineiro, fui dormir e sonhei com um Nordeste desenvolvido, sem analfabeto, o povo com emprego e renda, a família morando em sua casa com água e saneamento, fartura e saúde. O Nordeste havia se tornado um país independente.

Sonho fantástico, o povo feliz, reunido, dançando na praia da Avenida da Paz, comemorava a Independência. Aqui nas Alagoas a festa varou a noite, continuou pelo outro dia e mais dias. Foi armado um palco na praia, de repente entrou um animado e colorido pastoril cantando e acenando para o povo. De um lado, o cordão encarnado, uma coluna com sete pastoras, moças charmosas e bonitas com seus vestidos de chita, fantasias de saias rodadas. Do outro lado, o cordão azul, mais sete meninas, louras, morenas, mulatas, todas acenavam para o povo na praia com seus pequenos pandeiros fantasiados de fitas. Entre as duas colunas, entre os dois cordões dançava a única Diana vestida de minissaia de chita, dividida entre as cores azul e encarnado. E cantavam a primeira jornada:

“Boa noite meus senhores todos, Boa noite senhoras também… Somos pastoras, pastorinhas belas… Que alegremente vamos a Belém.”

A moçada ia ao delírio, ajudada pelo animador, o poeta Aldemar Paiva, que gritava no microfone:

Viva o cordão encarnado! Viva o cordão azul! Viva o Nordeste! Viva a Independência!!!!!

A festa continuou com o homem da cultura popular Ranilson França apresentando um exuberante grupo de Guerreiro da Viçosa, com suas fantasias coloridas e chapéu cheio de espelhos. Eles cantavam: Guerreiro, cheguei agora, Nossa Senhora é nossa defesa… Foram se apresentando fandangos, folguedos, coco de roda, baiana, caboclinho, reisado, nega da costa, chegança, boi e muitas outras danças populares nordestinas.

No Clube Fênix acontecia um agitado e divertido baile de frevo no carnaval. A orquestra do maestro Passinha tocou durante toda a noite. O dia foi despertando. A orquestra saiu do ginásio para a rua, puxando os foliões em direção à praia. Continuavam os gritos: “Viva a Independência! Viva o Nordeste!” A festa da Independência durou dez dias. Estendeu-se por todas as praias da cidade. O povo dançou na praia de Pajuçara, onde o mar beija as areias, com mais alma e mais amor.

A partir da Bahia até o Maranhão estava formado um novo país. O delirante sonho continuava com um show de Elba Ramalho no Marco Zero do Recife, cantando os versos de Bráulio Tavares e Ivanildo Vila Nova.

“Já que existe no Sul esse preconceito… Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato… Já que existe a separação de fato… É preciso torná-lo de direito… Quando um dia qualquer isso for feito… Todos os dois vão lucrar imensamente… Começando uma vida diferente… Da que a gente até hoje tem vivido… Imagine o Brasil ser dividido… E o Nordeste ficar independente.”

Nesse momento, caí da cama, acordei. Mas ficou a esperança de um dia o povo nordestino, tão rico em sua cultura popular, tenha uma vida digna, todos com casa, água, saneamento, emprego, alfabetizados e saudáveis. Só isso. E que os governantes cuidem dos nordestinos, que estão esperando melhoria de vida desde o tempo do Império, desde Dom Pedro II.

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