quinta-feira, 13 de agosto de 2026 – 15h33

Vinho produzido em Garanhuns (PE) recebe medalha de ouro em prestigiado concurso internacional

‘Cabana do Vale Cabernet Sauvignon - safra 2023’ obteve 10,2 dos 11 pontos possíveis
Vinho Cabana do Vale, medalha de ouro no Catad'Or World Wine Awards - Foto: Divulgação

Responsável por 15% do abastecimento do mercado interno nacional de vinhos, as vinícolas do Baixo Semi-Árido do Nordeste, no Vale do São Francisco, mostrou-se um terreno fértil para a vitiviniculturas, apesar da escassez de chuva e do clima quente e seco. A região se consolida, a cada ano, como um forte polo no cultivo da uva e, consequentemente, na produção de vinhos finos. 

O Catad’Or World Wine Awards, competição internacional de vinhos mais importante da América Latina, realizada, desde 1995, na cidade de Santiago, capital do Chile, premiou o vinho “Cabana do Vale Cabernet Sauvignon – safra 2023”, da vinícola Vale das Colinas, da cidade de de Garanhuns (PE), com a medalha de ouro.

Na avaliação, entre os níveis de Pobre, Adequado e Médio a Muito Bom e Excelente, a bebida obteve, no Julgamento Geral, 10,2 dos 11 pontos possíveis: Visual (Visão 4,8 de 5 e Cor 9,6 de 10); Nariz (Genuinidade 5,2 de 6, Intensidade Positiva 7 de 8 e Qualidade 14 de 16); e Gosto (Genuinidade 5,4 de 6, Qualidade 19 de 22, Persistência 7,4 de 8 e Intensidade 7,6 de 8).

Muitos vinhos da região se destacam em competições nacionais e internacionais, garantindo medalhas e reconhecimento. O “Cabana do Vale”, obtido a partir da uva Cabernet Sauvignon, conhecida como “a rainha das uvas tintas”, é uma bebida brilhante, de coloração rubi, com aroma intenso e notas de especiarias, pimenta-preta, cacau e leve toque frutado de amora.

A uva no Nordeste brasileiro

Ainda nos anos de 1963 e de 1964, foram instaladas estações experimentais no Projeto Piloto de Bebedouro e o Perímetro Irrigado de Mandacaru, nos municípios de Petrolina, no Sertão pernambucano, e em Juazeiro, na Bahia, respectivamente. Com forte capacidade produtiva, o ano de 1986 foi o marco das políticas dos pequenos produtores. A CODEVASF criou o Distrito de Irrigação do perímetro (DISNC) 

Atribuindo-lhe a gestão da água e as funções de assistência técnica, entre os anos 1980 e 1990, a região passou a ser conhecida também pela produção de vinhos finos. Em 1984, foi produzido o primeiro vinho no Vale do Submédio São Francisco, com a marca Boticelli. A instalação de vinícolas nas Fazendas Milano ( PE) e Ouro Verde (BA) deram início à produção de Vinhos Finos.

Desde o século 19, a Região Sul, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, mesmo em condições climáticas desfavoráveis, é o polo referencial de vinhedos e vinícolas no país, bem antes do Vale do São Francisco se consolidar. Os imigrantes estrangeiros trouxeram conhecimento técnico e noção de mercado, levando a cultura para outras regiões brasileiras, inclusive o Nordeste.

A produção no nordeste se fortaleceu ainda mais com a implantação de novas vinícolas e vitivinícolas de iniciativa pública, como a Escola do Vinho do Curso Superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano. Hoje são inúmeros rótulos de vinhos finos, produzidos pelas vinícolas espalhadas na região, diversificando, não são só o café e a cerveja, as bebidas apreciadas pelos brasileiros.

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